Acampado sobre barco a vapor (parte IV)

Publicado em: 17/04/ 13

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Pendurado na curta e estreita rede, descanso ao relento, coberto pelo manto do sereno. Os roncos explodem madrugada afora no acampamento. A primeira noite na mata fechada é histórica. Dormimos na ilhota Diamante, formada sobre os destroços do barco a vapor do mesmo nome, encalhado e abandonado no Rio São João.

A embarcação foi uma das últimas a fazer a chamada rota de trânsito, entre o mar do Caribe e o Lago da Nicarágua, em 1908. Os restos da chaminé e do motor podem se encontrados, afundados em meio à vegetação da floresta tropical.

À espreita, macacos, tartarugas, garças, cobras e crocodilos. A pegada fresca do jaguar comprova que saiu para caçar na noite anterior. Mede praticamente o tamanho de uma caneta. O peso varia entre 60 e 100 kg, mas já foram encontradas fêmeas de 160 kg. É o terceiro maior felino, atrás apenas do tigre e do leão.

Lanternas apagadas na noite fechada, ouvíamos o sussurro da natureza. Às vezes, pelas frestas abertas nas copas das árvores, avistávamos estrelas. O chão, colorido por diferentes espécies de rãs. A vermelha, com patas azuis tem o apelido de “blue jeans”.

Nas águas escuras do rio, o brilho dos olhos avermelhados dos caimãs. Nas raízes dos cipós aquáticos, encontramos camarões para a pesca. Na terra, minhocas para o anzol.

Na base do exército, os soldados nicaraguenses cavam trincheiras, em época de paz. Não se sabe quando o magnífico e disputado Rio São João pode virar outra vez motivo de conflito armado na região.


2 Comentários

  1. Louise Martins - Colégio SESI-PR - M.C.RONDON disse:

    olá Ike costumo ver programas que ajudam a pessoa a sobreviver em vários lugares, geralmente nesses programas eles dormem ao ar livre em desertos,selvas, etc. Geralmente acontece d algum animal perigoso ir perto do “acampamento” a noite, mesmo com o fogo que montam no centro do acampamento na tentativa de afastar os animais… Ou então alguém sente medo por algo a noite e dps vai ver o que é e não é nada ou então é algo inofensivo, gostaria de saber se na sua viagem já ocorreu algum fato assim?

    • ikeweber disse:

      Não, Louise, mas bem que gostaria.

      Na vida real geralmente os animais fogem quando detectam a presença de pessoas. Ao menos onde tenho conseguido ir.

      Talvez em lugares mais distantes, ainda mais afastados, seja possível. Quem sabe fora das Américas…

      Normalmente é difícil ver animais mais ferozes, como jaguares ou pumas.


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