De Mochila pelas Américas

Aventura na Cordilheira Branca

em 9 dezembro, 2012

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Sou um andarilho, diria meu amigo Edson Walker, viajante de longa data. Caminhei por sete horas, 17 quilômetros, circundando montanhas, atravessando matas, cruzando rios e subindo picos até a extraordinária lagoa 69, paraíso de águas verdes em meio à Cordilheira Branca, no Parque Nacional de Huascarán.

A jornada começou cedo, logo às 6h da manhã, com o corpo cravado no banco da van, os joelhos travados no assento da frente, de onde assistia ao constante vai e vem da porta para a entrada e saída de passageiros. As “chicken vans” se assemelham aos “chicken buses”, veículos que transportam de tudo: pacotes, malas, pneus, produção agrícola e até gente, sempre muita gente.

Logo no desembarque havia uma sendo carregada com três sacos cheios de porquinhos da índia, vivos. Sim, aqui no Peru esses bichos são criados para abate. Os motoristas literalmente correm atrás do dinheiro, fazem viagens arriscadas, acelerando sempre e ultrapassando na mais estreita oportunidade.

Dois coletivos depois, duas horas e meia e 85 quilômetros mais tarde, desço em Cebollapampa, para o início da caminhada, que imaginava suave.

A lenta subida foi se acentuando enquanto admirava cascatas e plantas nativas, passou ao nível médio até se transformar em puro aclive de montanha. O ar gelado limpava os pulmões da habitual poluição dos centros urbanos peruanos e esfriava rapidamente o suor.

Fui só, para refletir e contemplar a natureza. A presença dos picos nevados em contraste com a queda de água límpida me levou à emoção e me trouxe as lágrimas. Sim, é possível chorar de alegria, não apenas pelo afeto ou vitória conquistada, mas pelo simples fato de estar ali, imerso entre montanhas e vales, ao pisar pedras e mato.

Ao lado da lagoa, no alto da Cordilheira, não chove, neva. Deixei que os demais viajantes saíssem para ficar só, na companhia da natureza. Assim converso com Deus.

No retorno solitário, minha absoluta falta de direção me joga para fora da trilha principal. Estava perdido na mata, de um parque que se estende por 160 quilômetros e tem outros 20 quilômetros de largura. Por descuido atravessei dois pequenos riachos fora do caminho e tudo que encontrei foram trechos de mato amassado pelo gado. O vale serve para pastoreio.

A questão era colocar foco e manter sempre a tranquilidade, como se ensina para os que se estão a ponto de afogar-se. Perto das 16h precisava achar o caminho antes que escurecesse, o que admito, não foi assim tão difícil.

Na dúvida entre subir para onde eu avistava o que poderia ser um sendeiro, já com pouco fôlego, ou descer, para perto do rio, fiquei com a segunda opção. Cortei caminho escalando um barranco e encontrei novamente a trilha, com as botas e calça molhadas pela umidade da vegetação.

Meu último esforço: juntar-me ao rio, molhar o rosto e provar da água pura do vale. Consegui carona para chegar ao povoado de Yungay e de lá pegar a van para Huaráz. Estava há 48 horas à base de lanche, sem uma refeição completa.

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