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A surpresa, a dureza e a riqueza de viajar

Publicado em: 08/03/ 13

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Viajar é olhar pela janela, ao acordar, e ver uma paisagem nova a cada par de dias. É escutar sons, ruídos, idiomas, dialetos ou sotaques diferentes no seu caminhar.

É conhecer distintos modos de vida e conviver com povos mais sofridos. Recordar velhas experiências e partilhar novas visões e ideais.

É ficar doente e não ter com quem contar. Mas é também reconhecer na jornada alguém para se apoiar.

Pode não parecer, mas viajar também é lidar com pequenas situações cotidianas.

É valorizar prato de comida, lugar abrigado para passar a noite e apreciar uma simples camiseta velha encontrada na mochila. Simplesmente limpa.

Viajar é parar para se encantar com o canto de um pássaro.

Digo que é encontrar forçar interna para superar circunstâncias difíceis e cultivar a sabedoria para apreciar os momentos mais sublimes.

Explorar é totalmente diferente de tirar férias ou de sair para descansar.

Muitas vezes significa caminhar por horas, mochila pesada às costas, calor e frio, dormir pouco, não comer, apenas picar. Dividir quarto e banheiro, compartilhar sua única fruta.

Viajar é deparar-se consigo mesmo, mas também é sair de si para encontrar-se com os outros.

É descobrir que o sol nasce sempre igual, mas em tons cada vez diferentes.

Viajar é perder os dias, ficar sem a noção do tempo, para ganhar cada instante da sua vida.

Não é o mesmo do que sair da cidade a trabalho, ou fazer turismo em cosmopolitas capitais.

Sim, é largar tudo, para tudo conquistar. É não ser compreendido, para entender melhor o sentido da existência.

Viajar é surpreender-se a cada dia

Por mais que ler seja fundamental, agradável e interessante, esqueça. Você nunca conhecerá o mundo, de fato, se não viajar.

É viver o instante, apenas sentir e existir. É ser livre, ou experimentar a sensação momentânea, mas também duradoura, de liberdade. É ser feliz.

Encontrei a felicidade servindo, amando, trabalhando…  E, sempre, viajando.

 

“Viajar é devolver a alma para a casa” (Fabrício Carpinejar, poeta).

 

 


Imagem das Américas

Publicado em: 28/02/ 13

Foto: Ike Weber


Curiosidades do Panamá

Publicado em: 25/02/ 13

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O Panamá é um país aquático. De diminuta largura, recebe dois oceanos: o Atlântico e o Pacífico. Em sua também curta extensão, é possível saltar em rios, tomar banho de cascata, boiar com extrema facilidade, nas águas salgadas dos mares, e navegar por mangues ou baías.

A capital, Panamá City, honrou a característica e lançou para passeios o ônibus aquático, veículo anfíbio que percorre por mar, algumas das atrações da cidade. A invenção é americana. Foi fabricada para transportar tropas militares a locais onde não havia atracadouro.

Longe da capital, onde o sol ataca com bem mais intensidade, os barqueiros suportam o calor, mas não deixam queimar a pele. Transportam passageiros todo o dia como se estivessem cavalgando por pradarias do antigo oeste bravio.

O “calabazo” é do tamanho de uma bola de handball. O fruto é usado para a fabricação de artesanato. Na Colômbia, serve para a confecção dos “poróros”, objeto com o qual os índios kóguis se servem de folhas de coca e momentos de reflexão.

Esqueça o que conhece sobre a vegetação e as árvores. As “Quararibea asterolepis”, tem o tronco totalmente quadrado. Atingem 30 metros de altura e dão flores brancas e amarelas, em junho e julho, e frutos entre agosto e novembro.

As águas aquecidas por vulcão inundam pequenos poços no povoado de Caldera, na província de Chiriquí. A temperatura chega fácil aos 40C. Banho aqui não é só lazer, mas também saúde. As águas têm propriedades medicinais.

Bem mais afastado de tudo, quase na fronteira com a Costa Rica, fica o extraordinário arquipélago de Bocas del Toro. A vida selvagem é rica e diversificada. Há variedades de peixes, plantas subaquáticas e polvos. Bichos-preguiça, golfinhos e até jacaré.

O Valle de Antón é o destino de escape dos panamenhos, nos feriados ou finais de semana. O povoado tem esporte e arte, como a pintura de azulejos.

O “deep board” é um snorkel mais dinâmico. O praticante vai agarrado a uma pranchinha de fibra, puxada por bote a motor. Tem a faculdade de decidir quando quer baixar ao fundo, e admirar a vida marinha, ou voltar à superfície. Diferente e divertido.

Esses chapéus aí em cima, que viraram moda também no Brasil, são conhecidos como chapéus do Panamá. Isso porque foram muito usados pelos trabalhadores, na época da construção do Canal.

De verdade, de verdade, ninguém mais usa o acessório por aqui. E a fabricação deles é no Equador, na colonial cidade de Cuenca. Exportam para os Estados Unidos, Alemanha e Nova Zelândia. Na fábrica, custam entre US$30 e US$35 (R$60 a R$70).


Terra de plantas, orquídeas e morangos

Publicado em: 19/02/ 13

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O dia desperta cedo na área rural de Guadalupe, em meio a plantações de morango, orquídeas e o cultivo de diversas espécies de flores e plantas. O povoado de poucas casas e escasso comércio, entretanto, dorme até mais tarde. A dois mil metros de altitude a temperatura do verão panamenho baixou a 6 C.

A névoa úmida marca o caminho até à entrada do Parque Nacional Vulcão Barú, uma área de 140 quilômetros quadrados com trilhas que percorrem bosques, margeiam rios e encontram cascatas.

Deixo a vila onde não é preciso olhar para atravessar a rua. Saio do povoado no qual o morango é servido em quase uma dezena de modalidades: com creme, sorvete, chocolate, iogurte, batido, gelado e até com vinho ou licor.

Ensaio as primeiras passadas de uma caminhada que iria durar seis horas pela trilha dos Quetzales, fora as paradas para admirar os pássaros, fotografar e conversar com moradores.

A mata canta em diferentes tonalidades. Grita com os Talingos, gorjeia com os Quetzales e pia com diversas espécies de aves, enquanto a trilha muda de forma e de intensidade.

O rio, imenso, banha democraticamente locais, mochileiros e turistas.

Após 10 km, almoço sardinhas com molho de tomate e recuso carona em um caminhão de alface para seguir caminhando pela estrada, outros 10 km até Boquete. Sim, assim se chama o povoado incrustado no Vale da Caldera e rodeado por montanhas e fazendas de café.

Pelo caminho também está instalada a pobreza que assume a forma de choças, casebres ou de precários acampamentos. Aparece na face das crianças retraídas e nas roupas penduradas para secar entre as árvores.

À tarde, as nuvens visitam as montanhas. Muitas vezes chove e o cheiro molhado e agradável da vegetação impregna o olfato. O melhor de tudo é essa sensação de liberdade, de caminhar sem hora para chegar, de encontrar um lugar e não ter tempo exato para permanecer. De alternar montanhas e fazendas, praias e baías, cidades e povoados. Sem saber por quanto tempo vou ficar.


De “chicken bus” pela América Central

Publicado em: 16/02/ 13

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Oito horas ensanduichado nos ônibus do Panamá. De um micro para um veículo maior e dali para um daqueles antigos ônibus escolares norte-americanos. Todos “chicken buses”, denominação para o coletivo que transporta todo tipo de mercadoria e gente, sempre muita gente. Ao todo, quatro diferentes para chegar ao meu destino, nas montanhas.

A família de cinco pessoas ocupa três assentos. Fico posicionado entre o pai e os dois garotos, socados no mesmo banco. As pernas disputam espaço no estreito corredor que separa os bancos de estofado roto.

Mochila amarrada no teto, ao lado de sacos de batatas e verduras, malas, baldes de plástico, botijão de gás e até um ventilador. Sacolas menores e mochilas pequenas seguem dentro da cabine.

O pai passa por cima de mim as asinhas e coxas de frango para os meninos. O cheiro da comida se instala comodamente nos bancos de trás do diminuto ônibus. Os guris se deliciam à janela.

O “chicken bus” segue lento pela rodovia vazia. Desta vez há silêncio. O rádio, em volume baixo, vomita o noticiário. Pescoços quebrados à frente, cabeças balançando sobre o corpo, todos em vão tentamos dormir. Os moleques, entalados no assento ao lado, espirram e um derruba a cabecinha sobre o meu braço, ao cochilar.

Um senhor termina a leitura do jornal e inicia a de uma apostila, fato pouco usual entre a maioria da população das Américas Central e do Sul. Só há outras duas estrangeiras a bordo.

O ônibus lotado para. Um grupo de quatro adultos e cinco crianças avança, não acredito que vão embarcar. O cobrador desce e os jovens entram. Os adultos, em trajes típicos panamenhos, se alojam ao longo do corredor, espaço antes destinado para nossas pernas. Uma das crianças tem problemas de formação genética.

O rádio é desligado, não há espaço para música. O calor ultrapassa a brisa que entra pela janela  e amolece o corpo, o sono é incontrolável. Talvez agora a cabeça se sustente, encostada em algum corpo pelo caminho.

Fome. Dia de viagem é sempre longo, intenso, e geralmente com pouca comida. Divido com os guris o pacotinho com cinco bolachas de maizena. Um rapaz desce. Outros dois meninos sobem.

A vegetação verde sobe as colinas. É sorte os panamenhos serem baixinhos, eu não caberia de pé no ônibus. Um gordo mostrando o “cofrinho” levanta, no distrito de San Félix. Metade da viagem, a lotação é renovada.

A ambulante embarca com refrescantes laranjas descascadas e pacotes sem sentido de tomates e pimentões. A família compra as laranjas enquanto outros meninos me espiam, com olhos curiosos.

A Polícia Nacional fiscaliza o veículo, a caminho de Boquete, e pede documentação aos menores e aos estrangeiros. O rapazinho ao meu lado diz que não tem e a viagem segue, sem contratempos. A pintura amarelo canário do ônibus velho estala de nova.

A filha menor da família que se comprime em três bancos usa vestido salpicado de bolinhas azuis e laço de fita. Os guris se chamam Kevin e Kenett. O ônibus segue lotado.


Alunos do Colégio Sesi acompanham a expedição

Publicado em: 14/02/ 13

A expedição De Mochila pelas Américas dá um alô especial aos alunos do Colégio Sesi do Paraná que voltam às aulas nesta quinta-feira (14) e agora começam a acompanhar esta jornada.

Por mais quatro ou cinco meses estaremos juntos, explorando países das Américas Central e do Norte.

É uma oportunidade de desbravarmos novos espaços, conhecermos diferentes culturas e aprendermos história, biologia, geografia e idiomas como o espanhol e o inglês.

Acima de tudo, esta viagem jornalística, cultural e de aventura traz a possibilidade de desenvolvermos valores pessoais como a determinação, a coragem e a resiliência, além da capacidade de superação e de adaptação.

Conto com vocês, jovens do Colégio Sesi, para seguirmos juntos nessa empreitada que também carrega em sua essência capacidades que vocês aprendem em classe, como o empreendedorismo e a criatividade.

Além do Colégio Sesi, que patrocina a expedição, tenho o apoio da Vital Card e as parcerias de divulgação do jornal Gazeta do Povo e da rádio CBN Curitiba.

Grande abraço a todos,

Ike Weber.


Roubado por um macaco

Publicado em: 12/02/ 13

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Sentado à beira do rio Caldera, na região de Chiriquí, apreciava meu almoço, logo após o mergulho – um pacotinho de cookies. Baita susto levei quando ao meu lado estava um macaco-prego, à procura de comida. Selvagem, vagava livre pelas rochas ao longo do rio.

Meus primeiros pensamentos foram tentar contato ou preparar defesa, visto que o bicho tinha dentes afiados e tamanho razoável. Não sabia qual seria sua reação.

Optei por correr até a mochila para pegar a câmera fotográfica. Ele decidiu o mesmo e, adiantado, chegou antes de mim ao ponto onde larguei meus equipamentos. Olhou a mochila e não hesitou: agarrou logo a garrafa de isotônico que guardava para a caminhada de volta.

Ágil, deixou as rochas e se abrigou à sombra, logo após o rio. Resolvi trocar a garrafa por boas imagens e segui o animal. O macaco não se incomodou com minha presença, olhou-me com tranquilidade e seguiu deliciando-se com o hidratante, cauda enrolada na árvore para servir de apoio.

Os macacos-prego são de porte médio e podem ser encontrados nas florestas das Américas do Sul e Central. Normalmente andam em bandos e podem viver até os 55 anos.


Carnaval em Santa CataLina

Publicado em: 07/02/ 13

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O céu, avermelhado, indica bom tempo para a manhã seguinte. Outras cores, variadas, rasgam o entardecer. O calor liberado pela areia, ao final do dia, demonstra como é forte o sol na praia de Santa Catalina, costa do Panamá.

Centenas de caracóis, carregando suas casas às costas, riscam a areia alva. Garças e aves mais raras repousam sobre as rochas. As ondas tubulares, perfeitas, aguardam o despertar dos surfistas.

O dia se arrasta com calma, o tempo navega com suavidade nesse cantinho do Oceano Pacífico. Enquanto isso, o rio serpenteia até o mar e o sol reflete nas lagoas de água salgada. Na imensa praia do Estero, a tarde passeia a cavalo.

A água é morna e verde-turquesa na Ilha Coiba, a 64 quilômetros da costa. Refúgio de macacos, bichos-preguiça e centenas de espécies de peixes, rajados, coloridos, opacos, listrados, diminutos ou em forma de flauta.

O silêncio impera. Nas praias da ilha só se escuta a melodia do mar encostando maciamente nas pedras. No mergulho, as moreias aguardam boquiabertas, em instinto de defesa e sobrevivência.

Ninguém vive na ilha, à parte dos guardas e encarregados pela vigilância do Parque Nacional de Coiba. Mas, com sorte, se pode avistar crocodilos, tartarugas, tubarões e muitas iguanas.

À noite, pelas estradas escuras ou à beira mar, o céu é tela negra, pontilhado de prata pelas estrelas. Cabelos e olhos claros prevalecem nas cabanas que servem refeições, paredes pintadas com imagens de baleias, tartarugas, arraias e tubarões. A madrugada é quente e mágica em Santa Catalina, numa pontinha do Pacífico.


Engenharia e Coragem

Publicado em: 04/02/ 13

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Uma só comporta do Canal do Panamá pode pesar até 700 toneladas, o equivalente ao peso de 300 elefantes. O Canal opera com 40 pares delas, fabricadas na Pensilvânia/EUA, e colocadas nos três jogos de eclusas, responsáveis por elevar as embarcações e assim permitir a navegação mais curta entre o Atlântico e o Pacífico.

O atalho marítimo que atravessa um dos pontos mais estreitos do continente americano movimenta 5% do comércio mundial. A tarifa de navegação varia, conforme o porte do navio, mas um cargueiro de grandes dimensões é obrigado a pagar entre US$ 300 e US$ 400 mil (R$588 mil a R$784 mil) para fazer a travessia de oito a 10 horas de duração e 80 quilômetros de distância.

Uma fortuna comparada à tarifa mais baixa paga desde o início da operação do Canal, em 1914. O aventureiro americano Richard Halliburton desembolsou US$ 0,36 (R$0,70), em 1928, para cruzar o istmo, a nado.

As eclusas funcionam como elevadores de água que levantam navios e barcos até o nível do Lago Gatún, a 26 metros acima do mar, permitem o deslocamento pela Cordilheira Central e os baixam do outro lado do istmo.

A vontade de construir uma ligação entre os dois oceanos é tão antiga quanto o descobrimento da América. Os primeiros planos surgiram em 1529 e, no século XVII, já se falava que seria a chave de dominação do comércio marítimo internacional.

Os franceses foram os primeiros a tentar, de fato, a empreitada, em 1880. A malária e a febre amarela dizimaram milhares de trabalhadores. Depois de tentativas e planos frustrados, o governo panamenho pactuou com o governo americano a construção do canal e a obra foi entregue.

A dominação americana durou até 1999, quando o Panamá assumiu o gerenciamento e a operação da estreita via, que permite a passagem de dois navios por vez.

Agora já atua na ampliação, com a construção de duas novas eclusas que vão possibilitar a passagem de navios maiores do que 32 metros de largura, como o permitido atualmente.

Uma obra grandiosa

  • A marca de 1 milhão de trânsitos de embarcações foi atingida em 2010;
  • São necessários 100 milhões de litros de água para encher cada câmera, onde os navios são elevados;
  • A perfuração realizada para a construção poderia atravessar o planeta e ultrapassá-lo em 900 km;
  • Pelo menos 22 mil trabalhadores morreram durante a construção;
  • Foram apresentados 14 projetos para a construção do atalho marítimo, em 1879.