De Mochila pelas Américas

Chan Chan, a cidade de barro

em 15 dezembro, 2012

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O marrom da massa argilosa se destaca na linha do horizonte, onde o céu se confunde com as montanhas. A planejada cidade de Chan Chan, que significa “Sol Sol”, foi construída pela Civilização Chimu em 13 d.C. e ocupada até a dominação pelos Incas, em 1470. Era a capital do reino que centralizava a distribuição agrícola e de objetos.

O território, de 15 quilômetros quadrados, que antes abrigava entre nove e 10 cidadelas, hoje está invadido pela cidade de Trujillo. Cada cidadela servia a um governante e tinha estrutura própria de praças, templos, depósitos, palácio e cemitério. Dividia-se em três estruturas: administrativa, cerimonial e funerária.

Quando o líder máximo morria, a personalidade que assumia deveria construir novo palácio e administrar as terras do falecido, sem o sentimento de posse. A riqueza continuava a pertencer ao desencarnado, na vida mais além.

A Cultura Chimu teve amplo domínio na costa norte do Peru, a partir do século IX, logo após a predominância da Civilização Moche. Urbanistas e especialistas em hidráulica, aproveitaram ao máximo a água dos rios e do subsolo, o que lhes rendia várias colheitas ao ano. Arquitetos experientes, projetaram as muralhas em formato de trapézio, com a base alargada, leve inclinação e o topo mais afunilado.

Protegiam-se dos abalos sísmicos, como o que impactou fortemente o Peru, na década de 70. Não gostavam de portas. A privacidade era garantida com o formato labiríntico dos corredores.

Conhecedores das mais importantes alterações marítimas do Peru, a corrente de Humboldt e o fenômeno El Niño, representaram os movimentos naturais com os peixes que ora nadam para à direita, ora seguem seu curso à esquerda.

Médicos, praticavam o Xamanismo à base de alucinógenos, calmantes e coagulantes naturais. Espiritualizados, veneravam a lua (Shi), o mar (Ni), as ilhas e as rochas (Alaecpong). Nos ocos nas construções, em formato geométrico, guardavam alimentos, tesouros, conchas e oferendas. Os ritos, celebrados na Praça Maior, eram frequentados apenas pela nobreza. Algumas cerimônias com a tumba presente.

Fora da cidadela construída à base de barro, pequenas pedras e restos de cerâmica, eram agricultores e pescadores. Assim criaram os “caballitos de totora”, espécie de caiaque originado de feixes secos da planta, assemelhada ao junco. Ainda hoje se vê os barcos surfando as ondas da praia de Huanchaco, a noroeste de Trujillo, fundada em 1534, depois do domínio espanhol.

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