De Mochila pelas Américas

Crônica do viajante

em 6 dezembro, 2012

A cama range insistentemente no hotel Virgen del Carmen, em Huaráz, a mais alta cidade do Callejón de Huaylas, a 3.100 metros de altitude. O quarto, mínimo, não permite abrir a porta e a mochila ao mesmo tempo. Acomodações deste tipo, aqui no Peru, se orgulham de divulgar: cama, internet e água quente. A cama rangia, não experimentei a temperatura da água. Fui embora porque a internet não funcionava e eu precisava escrever para vocês.

Troquei pelo hotel Galáxia, que nada tem de interestelar, como podem atestar pela foto. Mas, a 30 soles (R$25,00) a noite, e com a internet mais rápida de todos os pontos da viagem, me instalei para ficar quatro dias.

Abalado por constantes terremotos, o povoado, de 80 mil habitantes, pouco conserva de sua estrutura colonial. Apenas a Rua José Olaya mantém preservados seus casarões e a pavimentação de pedra.

Apesar de pequena, a cidade é agitada, parece estar em constante movimento, e o povo, demonstra ser menos hospitaleiro do que no sul do país. A cidade vive em função do turismo ao redor da Cordilheira Branca, por isso descer do ônibus e caminhar algumas quadras à procura de uma acomodação significa ser abordado quase uma dezena de vezes, mesmo às seis da manhã.

É parte do trabalho dos nativos, mas certo incômodo para o viajante recém-chegado que prefere se situar primeiro, antes de qualquer avalanche de perguntas e ofertas.

A temperatura caiu bastante. A partir de dezembro o dia amanhece frio e nublado, o sol aparece mais para o final da manhã e se mantém até umas três da tarde, quando, nesta época, normalmente chove.

Hoje o meu cabelo recebeu shampoo pela primeira vez, desde o início da viagem, há quinze dias. “Ego blue”, o seu nome. A cor, idêntica ao famoso anti-caspa da década de 80, Selsun Azul. Sim esta é uma viagem de espírito jovem, mas também escrevo para os da minha geração.

Mudança de hábito é algo comum em viagens longas e de aventura, você logo se acostuma. Esta semana despacho de volta para casa cerca de 1/3 da minha bagagem. Impossível continuar viajando tão pesado e percebo que posso ir muito longe com algumas mudas de roupa e equipamentos básicos como lanterna, filtro, saco de dormir, câmera fotográfica, computador e um bom abrigo para o frio e a chuva.

Saio para almoçar e desde minha garrafa de Inca Cola, metade cheia, observo os locais apreciando o “menu del dia”. Comida barata, a 11 soles (R$9,00), mas pouco saborosa. Na agência, o atendente, em baixa temporada, boceja várias vezes para relatar as opções de passeios. Desvio do mau hálito, agradeço, e levanto informações oficiais no posto de polícia e no escritório do Parque Nacional Huascarán, onde está a imponente Cordilheira Branca.

De volta ao novo hotel, o estrado parece não suportar meus 100 quilos de peso. A cama range insistentemente no hotel Galáxia, em Huaráz, a 3.100 metros de altitude.

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