De Mochila pelas Américas

De cabeça para baixo

em 8 abril, 2013

Morcegos 1
Morcegos 2
Morcegos 3
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Reportagem do viajante

Um belga radicado na Costa Rica se esforça para destruir a imagem de que os morcegos são roedores, bebem sangue ou são animais execráveis. Instalado nas colinas de Monteverde, próximo à costa do Pacífico e ao centro da Costa Rica, o pesquisador Bino explica que os morcegos combatem pragas, fazem polinização de plantas e que comem mil mosquitos por hora.

O estudioso herdou o conhecimento de um senhor que se especializou no tema e hoje luta para manter ativo um museu dedicado exclusivamente ao estudo, conservação e criação de morcegos.

No museu, além de fotografias, gráficos e informações, há cabeças de madeira para o visitante sentir a formação e viscosidade dos animais e duas orelhas gigantes, que imitam os sons captados pelos bichos. Exibe ainda um esqueleto de uma das maiores espécies da Costa Rica, com envergadura de um metro.

Como praticamente tudo na Costa Rica, país que absorveu significativamente a influência norte americana, o museu tem nome em inglês: “The Bat Jungle”.

Forma de vida

Em todo o mundo há 1250 espécies de morcegos. A Costa Rica tem 113 espécies enquanto que o Brasil tem 140. Em alguns lugares em que o animal corre o risco de extinção, há leis severas de proteção. É o caso da Inglaterra, conta Bino, onde as famílias devem conviver com os morcegos que têm em casa e jamais maltratá-los ou eliminá-los.

Os morcegos são mamíferos que tem um filhote por ano, que nasce com um terço do peso da mãe. “Enormes, é como se um bebê humano viesse ao mundo com 20 kg”, compara o pesquisador.

Podem dormir até 20 horas por dia e, em regiões muito frias, chegam a hibernar por meses. Diferente da crença popular, os morcegos não são cegos, têm excelente visão noturna e utilizam localização por sonar, emitido pela boca. É a chamada “eco localização”.

Curiosamente, quando voam em círculos, não estão perdidos, “mas sim de boca fechada, para não entrar mosquito”, explica Bino. Aí o sonar não está ativo.

Em bosques, livres, podem voar a 100 km/h. Bino explica que os morcegos dormem de cabeça para baixo porque “encontram mais facilmente lugares para se abrigar e que quando acordam usam a gravidade, se soltam e já começam a voar. É prático”.

As fezes do animal, chamadas de guano, são potente fertilizante, pelo alto nível de nitrogênio. No século XIX, foi matéria-prima muito exportada pelo Peru.

Tequila e vampiros

Uma das espécies que vive no Estado de Jalisco, no México, é responsável pela polinização do agave-azul, principal ingrediente na fabricação da Tequila, famosa bebida alcoólica, apreciada em todo o mundo.

O Leptonycteris nivalis habita florestas temperadas e é encontrado também nos Estados Unidos e na Guatemala. O centro do agave-azul é removido quando a planta atinge 12 anos de idade, limpo de folhas e aquecido para extrair a seiva que é fermentada e destilada.

Existem apenas três espécies de morcegos “chupa-sangue” no mundo. Todas são pequenas, em torno de 25 gr. Em geral, os morcegos comem insetos frutos ou néctar, apenas 1% se alimentam de sangue, pássaros ou peixes.

Serviço:
The Bat Jungle
Localização: na estrada entre Santa Helena e Monteverde, na Costa Rica
Preço: US$12 (adulto) e US$10 (estudante). Desconto para população local.
Site: www.batjungle.com

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