Expedição Extremo Oriente

Ike Weber inicia nova expedição pela Ásia

em 29 setembro, 2017

Íntegra de matéria do jornal Gazeta do Povo.

Em sua terceira expedição, curitibano conta como “largar tudo” e viajar pelo mundo

Jornalista, fotógrafo e viajante curitibano Ike Weber se prepara para uma jornada de três meses pela China, Coreia do Norte e do Sul, Japão e Taiwan.

Foto: Daniel Caron/Gazeta do Povo.

Ike Weber vai ao Extremo Oriente. O jornalista, fotógrafo e viajante curitibano se prepara para uma jornada de três meses pela ChinaCoreia do Norte e do SulJapão e Taiwan.

É sua terceira grande viagem. Na primeira, ele levou 11 meses para ir do Peru ao Alascaentre 2012 e 2013. Na segunda, foi de Hong Kong à Rússia em um itinerário de sete meses, de 2015 a 2016.

Elas importam porque não servem só pra matar a vontade de fazer passeios longos e sem data para terminar, desejo que Weber tem desde que fazia mochilões na adolescência. São “expedições jornalísticas e culturais”, como ele gosta de chamar, que depois viram um monte de histórias contadas em livros, palestras, exposições e oficinas.

O formato também foge do turismo usual. Weber viaja sempre sozinho, usando o meio de transporte que tiver à mão. Num dia pode ser trem; no outro, bicicleta e até cavalo.

Ike na China, em 2016. Foto: Acervo pessoal

A relação com os lugares é de imersão: o jornalista tenta se aproximar das pessoas que moram lá e conhecer a vida que levam. E documenta tudo para produzir reportagens e conteúdo (uma parte pode ser vista em seu site).

A expedição ao Extremo Oriente começa nesta quinta-feira (28). O ponto de partida será Pequim, capital da China, de onde Weber seguirá para a Coreia do Norte — um de seus principais interesses nesta viagem.

“Sempre vou muito aberto [para as expedições]. Vou para as regiões mais variadas pelo interesse que tenho em conhecer tudo. Mas tenho interesses específicos nessa região. A realidade bizarra da Coreia é um deles e, coincidentemente, estou indo em um momento de bravata ou possível guerra”, conta, em entrevista ao Viver Bem.

As exigências que o jornalista teve de cumprir para visitar o país foram a etapa mais trabalhosa do planejamento.

Da Coreia do Norte, o jornalista volta para a China. Ele vai percorrer a costa oriental do país, de onde seguirá, por água, para a Coreia do Sul.

Em seguida, ruma para o Japão, também por mar, antes passar por Taiwan e encerrar a viagem, novamente, em Pequim.

Weber conta que também está particularmente interessado em estudar, durante a viagem, as inovações das chamadas “cidades inteligentes” na Ásia.

Serão cinco em sua rota: Seul e Songdo (Coreia do Sul), Tóquio (Japão), Taipei (Taiwan) e Hong Kong (China).

A volta está marcada para as vésperas da virada do ano.

Escolha

Em sua primeira expedição, entre 2012 e 2013, Weber levou 11 meses para ir do Peru ao Alasca, passando por Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Guatemala, México e Estados Unidos. Foto: Acervo pessoal

Juntando tudo até aqui, são mais de dois anos fora de casa. “Meu objetivo é ter um cotidiano de viagem”, diz, contando como concilia o projeto com a família e o trabalho. “Quando você viaja a longo prazo, sua vida é a viagem”, explica.

Quem está lendo isso de crachá e com vista para uma divisória deve estar se perguntando quanto custa ser um “viajante”, e quem é que pode fazer algo assim.

Pelos cálculos de Weber, a conta dá uma média de 30 dólares por dia em países em desenvolvimento na Ásia e na América Latina, incluindo hospedagem, alimentação e transporte terrestre. Em lugares mais caros, como Estados Unidos, Japão, Hong Kong e Coreia, gasta-se uns 50.

Esse valor não inclui as passagens de avião e é suficiente apenas para uma viagem padrão aventura (hospedagem é em hostel e comida, às vezes, é de supermercado).

O custo total também inclui abrir mão do emprego e, em geral, não saber como vai ser retomar a carreira na volta.

Weber não deu exatamente um salto no escuro. Em 2012, quando deixou o cargo de diretor de Comunicação do Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) para ter seu período sabático, tinha portas abertas para voltar.

A expedição, no entanto, acabou engrenando como projeto profissional — cerca de 70% do que Weber gastou na primeira viagem voltou por meio de editais, parcerias, palestras e conteúdo jornalístico. A segunda já começou com 50% do custo financiado desse jeito.

Alasca, ponto final da primeira expedição de Ike Weber, em 2013. Foto: Acervo pessoal

O jornalista nunca voltou ao emprego. “Não me arrependo. Fiquei nove anos lá. Poderia ter ficado 20, mas o que teria feito?”, reflete Weber, que tem 50 anos e duas filhas — uma de 27 e uma de 1 ano e 4 meses.

Ele diz que perder um salário fixo e estar “do lado de fora” é mais difícil, mas que as experiências que esta forma de viver propicia acabam compensando. “Viajar ajuda a dar sentido ao que realmente vale a pena”, filosofa.

Link original: http://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/turismo/ike-weber-coreia/

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