Muito além da bandeira dois

Publicado em: 17/03/ 13

Táxi 1
Táxi 2
Táxi 3
Táxi 4
Táxi 4a
Táxi 5
Táxi 6
Táxi 7
Táxi 8
Táxi 9
Táxi 10

Seis ou sete picaretas gritam alvoroçados e fazem gestos largos, a uma distância de 200 metros, logo após meu desembarque. Não dou atenção e prossigo com a já costumeira tarefa de pegar a mochila do bagageiro, meio corpo enfiado para dentro do ônibus.

Nunca gostei de táxis ou de taxistas. Talvez pela lembrança dos tempos de exploração daqueles que faziam ponto na rodoviária de Curitiba, final dos anos 80, começo da década de 90.

Mas no Brasil o serviço é decente. Caro, mas honesto. De longe o melhor que conheço de todas as Américas.

Esganiçados, os motoristas proibidos de caçar corridas dentro de um dos tantos terminais de ônibus da capital da Costa Rica, projetam-se como podem para alcançar os clientes. Meio corpo para dentro da área privada.

Não há qualquer organização prévia, fila de carros ou algum tipo de acordo entre eles. Leva quem puder convencer o passageiro.

Difícil estar confortável em táxis de qualquer um dos países que tenho percorrido. Todos tem um ou outro defeito, ou a combinação de diversos problemas.

No Peru existe a constante ameaça de sequestro. Fora da capital muitos dos carros circulam à paisana, sem identificação e nunca com taxímetros. A primeira atitude é levantar referência em estabelecimentos comerciais ou com algum policial, sempre.

Nas zonas mais quentes também circulam as motos. Cobertas com toldos, assentos anexados, não se parecem com veículos de duas rodas. Tampouco se assemelham aos moto-táxis que existem em algumas partes do Brasil. Muitas são clandestinas, emplacadas com a fama da violência.

Dois mil colones, inicia a negociação um careca de bigode. Mil colones, leiloa outro. Não há opção. Atravessar a zona vermelha até a parada do seguinte ônibus, à noite, seria total imprudência. Caminhar até encontrar um táxi decente, pela região cercada pela prostituição, tráfico de drogas e criminalidade, absolutamente inseguro.

Acompanhado da esposa Juliana, que me visita em momentos da expedição, embarcamos no carro velho de preço barato. A dúvida era se a tarifa combinada, econômica demais, seria apenas um atrativo para enfiar-nos no táxi, expostos a golpe mais ousado.

Na Colômbia os carros também tem fama de sequestrar passageiros. Alerta da minha dentista, na semana da minha partida rumo às Américas. Casal amigo apenas alcançou o aeroporto de Bogotá, dali para um desses veículos suspeitos e a volta imediata ao Brasil.

Depenados, lamentava a doutora Beatriz.

Prática habitual também são os encargos extras. Tem sobretaxa para os domingos, horário noturno, sentido aeroporto… Tudo além do que marca o taxímetro e à parte da bandeira dois.

Não tem mais ônibus para Alajuela, mente o motorista, na tentativa de estender a corrida até o município vizinho, ponto de partida para locais interessantes da região central do país. Não faz mal, ficamos no terminal mesmo para encontrar amigos, rebato de imediato.

Ligeira marcha ré e as luzes se apagam. Acho que deu pane, não vou poder sair, mente outra vez o motorista, decepcionado pelo insucesso do truque de alongar o trajeto.

Na capital do Panamá é costume dos taxistas recusar a corrida. No país mais seguro já percorrido até agora, a economia segue forte, em aceleração constante. Não vou para aquela direção, alegam uns. Há muito tráfego agora, comentam desavergonhadamente outros.

Embarcamos imediatamente no carro do bigodudo careca, pelo dobro do preço. Ainda assim uma pechincha: dois mil colones, quatro dólares ou oito reais. Serviço mais barato do que no Brasil, mas bem menos limpinho.

Com essa mochila enorme o ônibus não te leva a Alajuela. São circulares, coletivos, sem espaço para bagagem, experimenta o outro trambiqueiro. Deixa estar, se não der ficamos por ali mesmo, respondo com a experiência de quem tem negociado com todo tipo de oportunista latino.

O diminuto, mas cordial Equador oferece o serviço de táxi mais confiável. O único defeito é que a tarifa sempre começa no patamar para turista internacional. Impossível apenas entrar no carro, fornecer a direção e pagar, conforme a marcação do taxímetro.

Regatear é a regra. O trajeto cai de três para dois dólares. De dois e cinquenta para dois dólares, ensinam os moradores, sempre dispostos a ajudar o viajante. Com a economia dolarizada, o país adotou oficialmente a moeda americana.

Menos de dez minutos se passam e chegamos ao outro terminal. Transporte coletivo para a cidade vizinha a cada 15 ou 20 minutos, até a meia noite. Baixamos as mochilas e acomodamos em amplos bagageiros, livres e espaçosos. Meia hora mais e chegávamos a Alajuela, a 30 km de San José.

Sempre preferi ônibus a táxis e taxistas.

 


14 Comentários

  1. Carol Bosi disse:

    Ike, isso me lembrou minha “aventura” ao pegar um taxi em Santa Cruz de la Sierra, ano passado…. O caos do trânsito – lá não existem sinaleiros nem preferenciais – não foi nada comparado ao carro e ao taxista…. Um carro velho, sujo e fedido e um motorista louco. Arrancava do nada e freiava quando estava quase na traseira (ou lateral) dos outros carros. Pelo menos a tarifa era bem baixa… também, nem tinha como cobrar muito por aquele serviço…

  2. Juliana Malagutti disse:

    Hola Ike. Leyendo ese postaje, pensé un poquito sobre los taxistas brasileños. Yo tengo miedo de andar en táxi, pero vi que la situación en los otros países es peor. Tengo ganas de viajar por América también y a partir de las informaciones de tu blog yo creo que me sentiré más preparada antes de salir de mochilas.
    Gracias, Ike, ¡buena suerte en tu viaje!

    • ikeweber disse:

      Mui bien, Juliana. Fico feliz en ayudar. Los colectivos siempre són más seguros. Tu puedes empreender tu viaje dando preferência a los buses, como yo hago. És mejor. Saludos, Ike.

  3. Isabela Nery disse:

    Olá Ike… Meu nome é Isabela e eu sou estudante do Colégio SESI- Assaí, estou na oficina De Mochila pela América acompanhando seu blog,suas aventuras e novas descobertas.Sou muito grata por você compartilhar esta grande viagem conosco. Boa sorte e que você tenha uma ótima viagem…

  4. Alunos do Colégio SESI Londrina disse:

    Hello Ike! We are a group of Colégio SESI – Londrina/PR and we’d like to ask you some questions! Our teacher Maitê helped us in it.

    If you could choose one of the countries that you visited to live, which one would you choose?

    What do you think about your trip being used as a worskshop in our school?

    How often do you call your family? Do you miss them?

    That’s it, Ike. Thank you for your time! And, once again, GOOD LUCK!

    Juliana Malagutti, Rafaela Pontes, Jéssica Francisco e Thaís Bastos.

    • ikeweber disse:

      Hello folks,

      In fact I prefer live in Brazil, but to answer your question, I think maybe I could live in Panamá.

      It´s fabulous use this trip as a workshop. I can share my experience with young people, students of Sesi´s School.

      I miss my family but I´ve just called them about two or three times.

      I always talk to them by mail and skype.

      You´re very welcome, guys.

      By, Ike.

  5. Sigmar Sabin disse:

    Olá Ike,
    As vezes só compreendemos o que nós brasileiros temos de bom no país, quando vemos que nuestros visinhos tem coisa pior para nos oferecer.
    Aqui só agradeço pelas suas informações. Você acaba se tornando um guia turistico para quem um dia desejar se aventurar por essas paragens.
    Parabéns pela coragem e pela bela aventura que você tem compartilhado conosco.
    Boa Jornada…
    Tenha um Bom Dia HOJE!

  6. Silmara Pawluzyk disse:

    Bem isso!! Suspeitos, perigosos, malandros…

  7. Louise Martins - Colégio SESI-PR - M.C.RONDON disse:

    hola Ike,dijiste que era muy peligroso tomar un taxi en la noche por la prostitución,trafico de drogas y la alta taza de criminalidad. Quería saber si la población no salen a la noche de sus casas porque tal vez sientan mucho miedo de salir o algo parecido??Que hay a cerca de los policías,que hacen a cerca de esta horrible situación,no toman ninguna acción para prevenir que estas cosas horribles sucedan?

    • ikeweber disse:

      Lo que pasa Louise és que para nosotros, estranjeros, la situación muchas veces és distinta.

      De qualquier modo, en la maior parte de los pueblos, a parte de las capitales, la vida empeza mui temprano, seis de la mañana e se acaba temprano también. Acá em Granada, por exemplo, no habia nadie en la calle ayer, a las nove de la noche.

      En el post lo que paso era que la zona era mui mala por la noche. Pero hay zonas distintas, que se puede camiñar tranquilamente. Depiende de la ciudad y región.

      Saludos, Ike.

  8. Lucas Adamy disse:

    ¡Hola! Ike nosotros somos alumnos de la escuela SESI de Marechal Cândido Rondon, del equipo Friends of Lagoa Azul : Lucas Adamy, Urion Scherer, Izabella Borzatto, Marina Völz, Gabriela Pazini, Amanda Luisa
    Creemos ser muy interesante ese puesto, autobuses llenos, los taxistas ladrones, debe de ter sido realmente muy difícil para ti
    ¿Me gustaría preguntarle si usted cree que este problema tiene una solución?
    ¿Qué crees que el gobierno podría hacer al respecto?

    • ikeweber disse:

      Bueno, equipo, todo tiene solución.

      La obligación de uso de taxímetros en los veículos siempre ayuda mucho.

      La questión maior, todavia, és la seguridad general. La educación y consciencia para el trato con los estranjeros és siempre mui importante.

      Dos puntos para la ación de los gobiernos.

      En países más desarrolados, como Panamá, y mismo en Nicarágua, bien más pobre, el pueblo compreende que los viajeros contribuen hacia el desarrolo de la nación. Hay entonces más tranquilidad.

      Saludos a todos, Ike.

  9. Lucas Alisson disse:

    ¡Hola Ike nosotros somos alunos de la escuela sesi de Marechal Cândido Rondon del equipe Los Mariates ,Lucas Alisson;Vinicius;Lariane;Louise;Alan;Larissa
    Pensamos ser interesante el tema sobre el robo de los conductores de taxi en Perú,aprovecharse de
    personas desinformadas y que se imaginan que el servicio, es como aquí en Brasil,
    casi siempre seguro y rápido.
    ¿Estás convencido de que un control de taxistas en lo que dice respeto a las condiciones del vehículo y
    precios puede mejorar esta situación desagradable?

    • ikeweber disse:

      Lucas, pienso que el caso seha más de control de seguridad do que de precios y condiciónes del veículo.

      Pero seria mui bueno si el gobierno hiciera una ley para obligar uso de taxímetros.

      Asi és en Costa Rica, por ejemplo.

      Saludos, Ike.


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