De Mochila pelas Américas

Quanto maior o risco, maior a recompensa

em 23 julho, 2014

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ARTIGO

(Publicado na Gazeta do Povo, em junho/14)

A vida é um risco. Desde a infância somos obrigados a lidar com desafios e superações em nossas trajetórias pessoais e profissionais. Aprendi isso ao longo da minha existência e, mais profundamente, no ano passado, ao viajar do sul do Peru ao Alasca sozinho, apenas de mochila às costas, por terra e por água, em uma expedição que superou dez meses. A realização do sonho de adolescência refletiu diretamente no amadurecimento pessoal e na minha visão sobre o mundo corporativo. O período de isolamento permitiu vivenciar a fundo a cultura de 13 países das três Américas e trouxe a certeza de que, em nossas escolhas, quanto maior o risco assumido, maior será a recompensa.

Com 25 anos de carreira como jornalista e executivo de comunicação, sou exemplo dessa premissa. Deixei uma posição de projeção e status como diretor de Comunicação da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) para me lançar em um projeto pessoal, que ganhou contornos profissionais. Largando uma vida sólida e segura, arriscando laços afetivos e familiares, lancei-me ao mundo, apenas com planejamento básico e sem ideia do que viria pela frente, ou de como seria a volta. Um risco.

A recompensa? Realizei o melhor empreendimento da minha vida. Empreendimento e não experiência, porque a expedição se assemelha a uma organização. É possível traçar paralelos com o mundo corporativo sob várias óticas: planejamento, superação, inovação, cooperação, adaptabilidade e orçamento. Abordei esses temas em palestra recente no 1º Congresso Regional de Crédito de Curitiba.

Quanto maior a corporação, mais detalhado e antecipado o planejamento, geralmente com objetivos otimistas, que nem sempre correspondem à realidade. Porém, nem todas as variáveis são controláveis, mesmo em análises realistas e ponderadas. Nem sequer o mais detalhado planejamento prevê crises. É preciso aprender a contornar, a superar.

Esse é um exercício constante em uma expedição. Só de deslocamentos foram 530 horas ininterruptas, ou 22 dias em circulação. Como planejar em detalhes? É preciso também experimentar a magia do não planejamento, que me fez chegar a lugares escondidos e a desfrutar vivências estimulantes na Colômbia, em El Salvador ou no México. O excesso de racionalidade e de convencionalismo assassina nossos sonhos.

Decisão é fundamental. Define nosso rumo, guia a jornada. Na vida ou em uma empresa, a melhor decisão é a tomada. O pior é não decidir. Se a escolha inicial não foi a ideal, podemos buscar outro caminho, ousar ou ser criativos e flexíveis.

Essencial também é a adaptabilidade – na empresa ou na expedição. Na viagem, passei por 125 acomodações diferentes: hostels, pousadas, barracas, pequenos hotéis, motéis, cabanas, albergues diversos, sem contar noites em transporte público ou em barcos. A ambientação é sempre mais fácil com colaboração – ponto fundamental para empresas e nem sempre encontrada no trabalho. Normalmente, a competitividade está mais presente.

Em uma viagem, o melhor apoio e as melhores fontes de informação são outros viajantes. Ou seja, pessoas. Circular pelo mundo é compreender ainda mais a importância do trabalho em equipe. Empresas são feitas de pessoas, criadas para participar, interagir, respeitar e colaborar.

Ike Weber, jornalista, viajante e executivo de comunicação.

 

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