Expedição Extremo Oriente

MULTIDÃO CELEBRA DIA NACIONAL DA CHINA

em 2 outubro, 2017

Quatro e quarenta da madrugada toca o despertar e eu acordo animado, após menos de três horas de sono, e depois de 51 horas de viagem, quatro voos, um trem, um ônibus e breve caminhada até o hostel onde me hospedaria, no coração de Beijing.

Mergulhei na escuridão das vielas e ruas estreitas do Hutong, bairro animado da capital, que fervilha até o início da madrugada. Antes do amanhecer, é completamente deserto, mas totalmente seguro. Não sinto saudades do Brasil.

É 1 de Outubro, a data mais importante do calendário Chinês, ao lado do Ano Novo. Comemora-se o dia da República Popular da China, um feriado que dura mais de uma semana e abarrota o país com intensa circulação de pessoas. Todos estão de folga na chamada “Semana de Ouro” e viajam pelo país.

Metrô ainda fechado, buscava um táxi na avenida principal, ao lado de minha nova amiga, a alemã Nina, jovem estudante universitária gordinha e muito simpática. Não gosto de táxis, principalmente em países da Ásia e da América Latina. Os motoristas resistem em usar o taxímetro e costumeiramente querem superfaturar as corridas. Em muitos casos, há inclusive risco de sequestro e assalto, mesmo na China.

Logo ali, um casal chinês parecia tentar o mesmo. Com gestos, sem qualquer palavra, conseguimos nos comunicar e compartilhar o transporte. Um carro negro, acionado por celular, chegava em instantes. Poderia ser um táxi do mercado paralelo. O mais provável era ser de empresa de transporte por aplicativo. A Didi Chuxing comprou a operação da Uber no país em 2016 e anunciou no início deste ano o investimento de US$100 milhões na brasileira 99 Táxi. É o maior aplicativo de transporte urbano da China.

Os arredores da Tiananmen Square já anunciavam a multidão que se preparava para a comemoração oficial. Está entre as 10 maiores praças do mundo com 440 mil metros quadrados (880 m X 500 m). Famosa mundialmente pelos protestos contra o governo e o massacre de civis, em Junho de 1989.

De máscara antipoluição, e sem dizer palavra, a chinesa recusa minha oferta de contribuir com o transporte. Seguimos juntos. O casal não desgrudaria de nós nem um momento, parecia sentir-se responsável pelos estrangeiros. Assim é o povo chinês, tem perfil de bom anfitrião.

Atravessamos o sistema de segurança e afundamos na multidão. Mar de gente. Alguns com patrióticas bandeiras vermelhas, outros com adesivos nas bochechas. Crianças nos ombros dos pais tentando ver o invisível. Oceano de celulares.

Atualmente a celebração é muito simples. Alguns tambores, que escutamos à distância, o hasteamento da bandeira e revoada de pássaros. Apesar da Independência da China ter ocorrido em 21 de Setembro, foi em 1 de Outubro de 1949 a formação do Governo Central, assim esta data é anunciada formalmente como da criação da República Popular da China.

Tudo começa e termina rapidamente, logo após clarear, ainda com neblina incessante. Todos veem pouco. O mais interessante é sentir o pulso da capital, interagir com as pessoas por sorrisos e acenos, registrar o momento, sentir-se comprimido pela massa humana.

Pouco depois da madrugada ter abandonado a praça, guardas dão a ordem de retirada por alto-falante e fazem a multidão se mover. Fácil de compreender. O local permanece bloqueado pelo cordão humano de soldados, com idades a partir dos 14, 15 anos. Impecáveis em suas posturas, são jovens que optaram pela carreira militar.

 

Seguimos nosso caminho, tudo muito fluido e ordenado, apesar do excesso de gente e do hábito chinês de empurrar as pessoas para conquistar espaço ou passagem. Estava na expectativa de como seria chegar ao país em pleno feriado prolongado, apesar de tantos alertas para evitar a “Semana Dourada”.

Sim, os chineses congestionam mesmo as ruas e vão à visitação e às compras. Caminham pelos calçadões, alternam-se entre as lojas de quinquilharias, mercados de rua e as gigantes boutiques com famosas marcas internacionais.

Já havia estado aqui em data festiva, há um ano e meio, na expedição De Mochila pela Ásia. Era o Dia do Trabalho, 1 de Maio.  Sempre divertido, acolhedor e instigante. Pode ser difícil se transportar pelo país, mas, para um mochileiro solitário, não é preciso evitar as multidões na capital da China.

(POR FAVOR, INFORMAR O INTERESSE ANTES DE QUALQUER REPRODUÇÃO PARCIAL OU TOTAL DESTE CONTEÚDO, E SEMPRE CITAR A FONTE).

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