NOVA EXPO – GENTE DA AMÉRICA LATINA

Publicado em: 24/06/ 15

A foto é dos pescadores da Ilha de Janitiza, em Michoacán, no México. É uma das imagens da exposição “Gente da América Latina”, abrigada no @Centro Cultural da Espanha, a partir desta sexta-feira (29/06).

Janitiza é uma das nove ilhas do Lago de Pátzcuaro, lugar habitado basicamente por famílias de descendência indígena. A mostra é aberta ao público em geral, com entrada gratuita, até o dia 28 de agosto. O Centro fica à rua Dr. Faivre, 93, no centro de Curitiba. A exposição de fotos já foi vista por milhares de pessoas, desde sua exibição no @ParkShoppingBarigui, em outubro do ano passado.


DE MOCHILA NA FNAC

Publicado em: 20/06/ 15

De Mochila pelas Américas foi ao shopping. Ou melhor, à livraria. As histórias, reflexões e relatos de quase um ano pelas três Américas foram apresentados em um bate-papo com clientes da Fnac, amigos e convidados. O convite foi do Centro Cultural da Espanha que também vai abrigar, durante dois meses (26/06 a 28/08/15), a exposição de fotos “Gente das Américas”.


De Mochila pelas Américas na RPC

Publicado em: 15/05/ 15


 

ESTÚDIO C

Atualizado em 05/05/2015 10h06

‘Comunhão total com a natureza’, diz Ike Weber sobre encontro com urso

O jornalista foi um dos convidados do Estúdio C no último sábado (02/05)

Jéssica CarvalhoRPC

Ike Weker falou sobre chutar o balde no Estúdio C (Foto: Priscila Fiedler/RPC)
Ike Weker falou sobre chutar o balde no Estúdio C (Foto: Priscila Fiedler/RPC)

Não há personagem melhor para falar sobre chutar o balde, tema do Estúdio C que foi ao ar no último sábado (2), que o jornalista Ike Weber. Em 2012, ele era diretor de comunicação da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), mas resolveu pedir demissão e viajar durante 10 meses e meio pelas Américas.

O viajante conheceu 13 países das 3 Américas (Foto: Arquivo pessoal)
O viajante conheceu 13 países das 3 Américas (Foto: Arquivo pessoal)

Sua viagem, que era um sonho antigo, acabou virando uma expedição jornalística, cultural e de aventura. Com pouco dinheiro, ele percorreu 13 países e registrou tudo no blog “De mochila pelas Américas”, na Gazeta do Povo.

Antes da gravação do Estúdio C, nos bastidores, ele relembrou 3 histórias marcantes que viveu no período. Uma das melhores foi a trilha que fez no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos: “Comecei às 14h. Como era verão, o sol se punha perto das 21h. Lá pelas 20h, perdi a trilha e acabei me deparando com um urso negro, que estava a 800 metros de mim. Ele viu que eu não apresentava ameaça, então pude fotografá-lo e tudo mais. Foi um momento de comunhão total com a natureza.”

Encontro com urso negro deixou Ike emocionado (Foto: Arquivo pessoal)
Encontro com urso negro deixou Ike emocionado (Foto: Arquivo pessoal)

No Alasca, ele presenciou algo inusitado: “Estava hospedado num hostel e vi o gerente do estabelecimento dando entrevista para um telejornal local. Descobri que um dia antes, o dono havia sido preso pelo FBI porque estava promovendo excursões de cunho sexual para o Camboja. Foi inacreditável.”

 Já na Colômbia, passou por sua maior dificuldade. “Resolvi fazer uma caminhada de 6 dias pela selva, até a Cidade Perdida. Na volta, comecei a sentir coceira, então tomei um banho de álcool e fui para outra cidade, já que lá não tinha assistência médica. Dois dias depois, consegui acionar o Seguro Saúde e descobri que estava com varicela”, relatou.

Três dias sem sol e alguns remédios mais tarde, ele pode continuar viajando, mas o curioso é que ficou aliviado. “Achei que fosse sarna”, disse, rindo. Esta história também foi contada no Estúdio C.


Quanto maior o risco, maior a recompensa

Publicado em: 23/07/ 14

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ARTIGO

(Publicado na Gazeta do Povo, em junho/14)

A vida é um risco. Desde a infância somos obrigados a lidar com desafios e superações em nossas trajetórias pessoais e profissionais. Aprendi isso ao longo da minha existência e, mais profundamente, no ano passado, ao viajar do sul do Peru ao Alasca sozinho, apenas de mochila às costas, por terra e por água, em uma expedição que superou dez meses. A realização do sonho de adolescência refletiu diretamente no amadurecimento pessoal e na minha visão sobre o mundo corporativo. O período de isolamento permitiu vivenciar a fundo a cultura de 13 países das três Américas e trouxe a certeza de que, em nossas escolhas, quanto maior o risco assumido, maior será a recompensa.

Com 25 anos de carreira como jornalista e executivo de comunicação, sou exemplo dessa premissa. Deixei uma posição de projeção e status como diretor de Comunicação da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) para me lançar em um projeto pessoal, que ganhou contornos profissionais. Largando uma vida sólida e segura, arriscando laços afetivos e familiares, lancei-me ao mundo, apenas com planejamento básico e sem ideia do que viria pela frente, ou de como seria a volta. Um risco.

A recompensa? Realizei o melhor empreendimento da minha vida. Empreendimento e não experiência, porque a expedição se assemelha a uma organização. É possível traçar paralelos com o mundo corporativo sob várias óticas: planejamento, superação, inovação, cooperação, adaptabilidade e orçamento. Abordei esses temas em palestra recente no 1º Congresso Regional de Crédito de Curitiba.

Quanto maior a corporação, mais detalhado e antecipado o planejamento, geralmente com objetivos otimistas, que nem sempre correspondem à realidade. Porém, nem todas as variáveis são controláveis, mesmo em análises realistas e ponderadas. Nem sequer o mais detalhado planejamento prevê crises. É preciso aprender a contornar, a superar.

Esse é um exercício constante em uma expedição. Só de deslocamentos foram 530 horas ininterruptas, ou 22 dias em circulação. Como planejar em detalhes? É preciso também experimentar a magia do não planejamento, que me fez chegar a lugares escondidos e a desfrutar vivências estimulantes na Colômbia, em El Salvador ou no México. O excesso de racionalidade e de convencionalismo assassina nossos sonhos.

Decisão é fundamental. Define nosso rumo, guia a jornada. Na vida ou em uma empresa, a melhor decisão é a tomada. O pior é não decidir. Se a escolha inicial não foi a ideal, podemos buscar outro caminho, ousar ou ser criativos e flexíveis.

Essencial também é a adaptabilidade – na empresa ou na expedição. Na viagem, passei por 125 acomodações diferentes: hostels, pousadas, barracas, pequenos hotéis, motéis, cabanas, albergues diversos, sem contar noites em transporte público ou em barcos. A ambientação é sempre mais fácil com colaboração – ponto fundamental para empresas e nem sempre encontrada no trabalho. Normalmente, a competitividade está mais presente.

Em uma viagem, o melhor apoio e as melhores fontes de informação são outros viajantes. Ou seja, pessoas. Circular pelo mundo é compreender ainda mais a importância do trabalho em equipe. Empresas são feitas de pessoas, criadas para participar, interagir, respeitar e colaborar.

Ike Weber, jornalista, viajante e executivo de comunicação.

 


Aventura pelas Américas

Publicado em: 06/12/ 13

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(Matéria publicada no jornal Gazeta do Povo. Texto e fotos: Ike Weber)

Tomar banho até de álcool, comer pouco e caminhar muito, com mochilas carregadas às costas. Experimentar a vida real e a cultura genuína de comunidades exóticas, conviver com povos indígenas e se deslumbrar com paisagens magníficas. Assim foi De Mochila pelas Américas, uma expedição jornalística, cultural e de aventura que, em pouco mais de 10 meses, percorreu 12 países do continente americano.

O jornalista e aventureiro, Ike Weber, viajou sozinho, por terra e por água, do sul do Peru ao Alaska e regressou percorrendo regiões do Chile e da Argentina. A jornada, que começou em novembro do ano passado, terminou esta semana.

Só de deslocamentos foram 585 horas, o equivalente a praticamente 25 dias ininterruptos, em sistema multimodal de transporte: de ônibus, trem, moto e bicicleta. Cavalgando encostas e subindo montanhas. Navegando por rios, lagos, geleiras e mares, de canoa, caiaque, ferry boat ou barco a motor. Dirigindo em rodovias cênicas, desbravando onde não havia estradas e pegando carona.

Foi uma peregrinação por todo o tipo de ambiente urbano e natural, paisagens e acidentes geográficos. O viajante explorou cânions, desertos e selvas; visitou povoados esquecidos pelo desenvolvimento e capitais cosmopolitas; relaxou em praias, rios e baías; escalou montanhas e caminhou ao longo de geleiras. Experimentou elástica amplitude térmica, no decorrer da peregrinação – de áreas geladas, com temperaturas abaixo de 0 C, até regiões de calor extremo, ao redor de 45 C.

A opção foi por desvendar de maneira profunda cada região visitada, o que exigiu de 25 a 30 dias em cada país latino e no Alaska. Para cruzar os Estados Unidos de sul ao norte, sem pressa, pelo velho oeste, o viajante precisou de 45 dias.

A diversidade cultural dos povos e as diferenças no nível de desenvolvimento dos países, permitiu perceber desde a miséria e o sofrimento de países como o Peru (América do Sul), El Salvador e Nicarágua (América Central) à segurança e opulência dos Estados Unidos, realidade mesmo após crise internacional.

A jornada não foi uma viagem de férias ou roteiro turístico, mas sim um trajeto de exploração, de cotidiano econômico e hábitos simples, com refeições, transporte e acomodações singelas. A estada variou geralmente entre hostels – onde o dormitório, banheiro e cozinha são compartilhados -, hotéis espartanos, hospedarias ou pousadas. Algumas noites foram mesmo dentro de ônibus, em barracas ou cabanas de madeira. Exatamente 125 diferentes acomodações, para 307 períodos de sono.

Pelo fato de ser viagem de longa duração, tarefas cotidianas precisaram ser absorvidas, solucionadas ou executadas pelo aventureiro, como a lavagem e a reparação de roupas, as compras de mercado e a preparação de refeições, além do controle de despesas fixas no Brasil e o pagamento de contas.

A atenção com a segurança pessoal permeou boa parte da viagem, especialmente no trajeto das Américas do Sul, Central e do México. As ameaças variavam entre sequestro de viajantes em corridas de táxi, possibilidades de assaltos à mão armada e os riscos naturais, em lugares inóspitos e distantes.

Os desafios foram também provocados, com a prática de esportes radicais e de aventura. Adepto da adrenalina, o aventureiro distribuiu as atividades: montanhismo (Peru); camping e trekking selvagem (Colômbia); “deep board” e escalada (Panamá); vulcanismo e motociclismo (Nicarágua); tirolesa e “parasail” (Costa Rica); cavalgada (México) “mountain bike” e “rafting” (EUA); caiaque (Alaska) e “hiking” em todos os lugares percorridos.

Vínculos passageiros foram estabelecidos e novas amizades, internacionais, iniciadas. Sonho realizado. A trajetória sem planejamento fixo, sem o “último dia de viagem”, livre das proibições impostas pelo limite de tempo, chegou ao fim. O viajante teve que retornar para casa, gratificado, carregando inédita e rica experiência e ainda saboreando a sensação ampla de liberdade. Está nove quilos mais leve.

Histórias de um viajante

Uma expedição de quase um ano de duração permite desenvolver ou exercitar valores como a adaptabilidade e a flexibilidade, além de contabilizar histórias que vão muito mais longe do que a simples diversão e o enriquecimento cultural permitido pela arquitetura, tradições, museus, folclores e culinária de cada país.

A ousadia de uma longa jornada oferece possibilidades diferentes, vivências prazerosas e perigosas, situações cômicas e desagradáveis. Pelo caminho da alegria ou do sofrimento, sempre enriquece a vida do viajante.

Atormentado pelos comichões que não lhe abandonavam o corpo, o jornalista despertou agitado em uma madrugada na Colômbia, após um trekking de uma semana pela selva, onde dormiu em rede e estabeleceu contato com índios da região. Fustigado pela coceira, não hesitou em correr para o banheiro e despejar quase um litro de álcool pelo corpo. Sarna?, pensou. No dia seguinte, atendido às pressas pelo médico, a constatação: havia contraído doença de criança, a varicela.

Positivamente surpreso ficou o viajante quando desceu do ônibus interno no Parque Nacional de Denali, no Alaska, para uma caminhada na floresta de tundra, sem trilhas demarcadas. Do alto de uma montanha avistou um urso cinzento, com dois filhotes. Ávido pelo contato com a vida selvagem, arriscou. Apenas com a câmera fotográfica em punho seguiu lentamente na direção dos animais. Chegou a 500 metros da família que se alimentava de frutos silvestres. Era como viver dentro de um filme, só a natureza, os animais soltos e o risco de ataque.

Experiência mais estafante o andarilho enfrentou no Equador. Seguro de que o motorista iria se lembrar de avisá-lo para descer, relaxou no ônibus, trajeto noturno entre dois povoados. Ao notar que a duração prevista para a viagem já havia terminado, há algum tempo, resolveu questionar. O motorista se confundiu e desembarcou o aventureiro em um ponto parecido. Única diferença foi que era no meio da imensidão e escuridão dos vulcões equatorianos. Nenhuma acomodação, nenhuma luz, nenhuma comida nas proximidades. A caminhada para lugar algum foi finalizada com sorte.  O jornalista encontrou hotelzinho de beira de estrada para passar a noite e retomar o trajeto na manhã seguinte.

Ike Weber é jornalista, viajante e fotógrafo. 

 O projeto teve o patrocínio do Colégio Sesi e do Grupo Schultz/Vital Card e apoio de divulgação da rádio CBN Curitiba e do jornal Gazeta do Povo.


Cenas de uma vitória (II)

Publicado em: 22/09/ 13

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Agradecimento do viajante (agora sim, pessoal, é o fim deste sonho)

A expedição De Mochila pelas Américas termina esta semana, com descobertas no Rio Grande do Sul. Já escutou algo sobre Mostardas? É povoado-base para percorrer o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, área de preservação, sem estrutura turística ou centro de visitantes. É dos mais importantes refúgios de aves migratórias da América do Sul, recebe espécies de ambos os hemisférios. Para explorar a região é preciso de um 4 x 4 ou de muita ousadia. É onde finalizo a jornada, a bordo de um Novo Uno.

Acabo de completar 10 meses de viagem. Antes de encerrar, deixo registrado aqui alguns agradecimentos. Começo pelos meus patrocinadores, que deram suporte para este empreendimento. O Colégio Sesi – com o qual mobilizamos milhares de estudantes de segundo grau, em oficinas de aprendizado – e o Grupo Schultz/Vital Card.

Agradeço à Rádio CBN Curitiba, grande parceira de divulgação, que registrou a jornada com entrevistas ao vivo, ao longo do percurso, e ao jornal Gazeta do Povo, que abrigou o blog em sua página na internet. Assim como a todos os veículos de imprensa, jornalistas e colaboradores, de Curitiba e do interior, que publicaram a respeito desta trajetória.

Gostaria de agradecer especialmente a você, leitor, amigo, colega, colaborador, participante indireto desses momentos. Tudo aqui postado, documentado em imagens ou em textos, sempre teve como objetivo chegar a você, para levar alguma inspiração e compartilhar experiências, histórias e informações. Este blog não teria sentido sem a sua leitura, a sua curtida e os seus comentários.

Agradeço aos meus verdadeiros amigos e familiares, que se mantiveram em contato comigo, na torcida por este grande sucesso. Agora sei ainda mais quem são essas pessoas e o que representam na minha vida. Assim como sou grato aos que me receberam, acolheram e apoiaram ao longo deste caminho, em cada país visitado.

Ao final, o agradecimento mais importante: a minha esposa, a designer gráfica Juliana Scheller, que compreendeu a importância deste sonho e soube esperar (im)pacientemente pelo meu regresso. Ela é também a responsável pela identidade visual da expedição.

Nesses últimos dias a viagem será registrada apenas no twitter – @ikeweber. Continue acompanhando, participando.

A expedição De Mochila pelas Américas termina. O sonho se concretiza. A vontade de seguir sonhando e realizando continua. Sempre. Muito obrigado.

 

Ike Weber


Cenas de uma vitória (I)

Publicado em: 15/09/ 13

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Despedida do viajante (péra, pessoal, ainda não acabou…)

Eu consegui!

Cumpri minha jornada, realizei minha peregrinação. Viajei por 10 países/regiões das três Américas, sozinho, por terra, em uma expedição jornalística, cultural e de aventura.

Trafeguei de ônibus, trem e de moto. Singrei águas geladas do Alaska e naveguei por rios, baixo calor escaldante da Nicarágua ou de chuva inclemente na Costa Rica.

Remei junto a geleiras e descendo corredeiras. Pedalei nas mais famosas trilhas de mountain bike do mundo. Circulei de ferry, canoa e barco a motor.

Cavalguei encostas montanhosas no México. Dirigi por rodovias cênicas, nos Estados Unidos, e passei por onde não havia estradas, ao longo do caminho. Peguei carona nas Américas Central e do Sul.

Descobri e explorei todo tipo de ambiente natural: montanhas, praias, baías, geleiras, desertos, cânions, lagos, rios, selvas. Passei frio e calor. Enfrentei sol, neve, ventos e tempestade de areia. Visitei capitais, cidades, povoados e lugarejos.

Abriguei-me em 120 acomodações diferentes, dos mais variados tipos, de barraca a hotéis.

Foram 552 horas de viagem até agora, o equivalente a 23 dias ininterruptos. Ainda não contabilizei os quilômetros, o que farei já na volta ao Brasil, depois de percorrer mais um ou dois países sul-americanos. Mas já adianto que foram milhares – por terra, água e, quando não era possível, por ar.

Conheci pessoas, talvez tenha iniciado vínculos, fiz amizades. Foram espanhóis, austríacos, alemães, peruanos, canadenses, americanos, mexicanos, chineses, ingleses, salvadorenhos, australianos, franceses, colombianos, suíços, ucranianos.

Ri, sorri, sofri e superei. Diverti-me, irritei-me e surpreendi-me. Alegrei-me e chorei.  De emoção.

Pratiquei esportes de aventura: rafting, escalada, cavalgada, mountain bike, parasail, hiking, trekking, camping, snorkeling, tirolesa e até descida de vulcão, em prancha.

E caminhei.

Caminhei muito, em todos os países. Para me maravilhar com paisagens naturais e tesouros culturais. Para avançar profundamente na natureza selvagem. Para conhecer comunidades urbanas, rurais, de praia e de montanha.

Caminhei para aprender e refletir. Para mudar, porque nada é estático, fixo, definitivo. Caminhei para longe. Caminhei para perto de mim.

Caminhei para me perder e para me encontrar.

Você acompanhou boa parte desta caminhada. Com a coletânea de imagens acima poderá rememorar alguns momentos, comprovar e até se divertir com a transformação física do viajante.

A mudança interna é íntima, talvez demonstrada futuramente em contatos ou relacionamentos. A bagagem volta mais leve. Ou mais repleta, dependendo da ótica.

Se fosse experimentar tudo o que passei nos últimos meses, apenas em viagens de férias, levaria pelo menos uma década.

Cumpri um objetivo. Atingi uma meta pessoal. Realizei um dos meus muitos sonhos. Para poder continuar a sonhar.

 

Ike Weber


Grande tradição da pequena cidade

Publicado em: 08/09/ 13
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Reportagem do viajante e curiosidade do Alaska

Ao longo de apenas dois meses, mais de 250 mil pessoas fizeram suas apostas no pequeno lugarejo de Nenana, interior do Alaska. O que arrebanhou tanta gente a um povoado de 380 habitantes foi uma tradição que está para completar 100 anos, o “Nenana Ice Classic”.

Quando o gelo do Rio Tanana iria se romper, após o rigoroso inverno do Ártico era a resposta a ser adivinhada pelos visitantes. O apostador que acertasse não só o dia e a hora, mas também o minuto exato do acontecimento, ficaria com o dinheiro.

Este ano o prêmio foi de US$318,5 mil, algo como quase R$760 mil, uma bolada. O gelo partiu às 14h41 do dia 20 de maio. Ninguém cravou o minuto exato, mas duas pessoas acreditaram que o tripé instalado sobre as águas congeladas do rio iria ceder um minuto antes ou um minuto depois desse horário. Dividiram o prêmio.

Quase um século

A tradição começou em 1917, quando engenheiros que trabalhavam na estrada de ferro brincaram para ver quem acertava o momento em que o rio começaria a descongelar. O desafio, na época, valia US$800.

Hoje os bilhetes são vendidos na cidade a US$2,50, a partir do início de fevereiro, e os palpites depositados em uma urna vermelha. Apostas para o ano que vem estão abertas até à meia noite do dia cinco de abril. Já foram pagos pelo menos US$11 milhões, em prêmios, desde o início da competição.

O Rio Tanana geralmente congela entre os meses de outubro e novembro e atinge a sua máxima espessura de gelo, que pode chegar a 1,20 metros, no início de abril. A partir daí começa a quebrar. Despedaça na superfície com a chegada de dias mais quentes, ou menos frios. No fundo, fragmenta com o movimento da água.

Um tripé gigante é fixado sobre as águas petrificadas, entre as duas pontes da cidade, e conectado por um cabo a um relógio. O mecanismo registra a hora exata em que o gelo cede. O monitoramento também é feito por câmeras e pode ser acompanhado pela internet.

Em 1940 foi quando descongelou mais cedo, dia 20 de abril. Este ano foi a data mais distante, já na segunda quinzena de maio. Os dias 29 e 30 de abril são os com o maior número de registros do Ice Classic, nove em cada uma das datas. Com essas dicas, a mesa está aberta. Façam suas apostas!


Maravilhas do Alaska

Publicado em: 02/09/ 13

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Descrição do Viajante

O Alaska é uma região de extremos. De beleza, natureza e de vida selvagem. De desafios, aventura, rudeza e dificuldades. São duas facetas bravias. Ambas, inóspitas.

Há momentos de grande superação para o viajante, ao ter que enfrentar, ensopado, temperaturas baixas, mesmo no verão, sem roupas ou equipamentos adequados. Remar por milhas debaixo de chuva, sentindo o frio ácido dos glaciares a congelar a ponta dos dedos e deslizar por todo o corpo. Ou passar horas em trilha pesada, longa e úmida caminhada ao topo das montanhas.

A mínima temperatura registrada na história do Alaska foi de 62 C negativos. Uma inesperada queda na água abre a contagem para o processo hipotérmico em apenas oito minutos.

Em outros instantes, o lugar desabrocha em beleza e permite o desfrute de indescritíveis cenários, a vivência de estupendas experiências, como admirar a cauda de uma baleia sendo engolida pelas águas do oceano, ou o seu corcovear gigantesco, em direção ao barco. Observar os lentos movimentos do alce enquanto se alimenta da abundante vegetação.

A última fronteira exibe distintos tipos de glaciares que desbarrancam a todo instante. Algumas geleiras são como jardins suspensos na rocha. Outras rugem antes de derramar a beleza dentro da água. Uma pelagem verde cobre a montanha que nunca congela. De caiaque, por vezes a pá do remo cava os blocos de gelo flutuante. São pedras brancas, azuis ou cristalinas.

Golfinhos, em preto e branco, voam no oceano, a velocidade de 65 quilômetros por hora. Peixes saltam, corpo inteiro acima da água. Alguns pássaros conseguem mergulhar a quase 200 metros de profundidade para pescar. Águias americanas, mais de dois metros de envergadura, espreitam a caça.

A sensação é de adentrar o universo de “Mar em Fúria”, ao comer algo simples no restaurante de madeira, enquanto o mar soca a praia de pedras, berram as gaivotas e outros tipos barbudos circulam a agendar pescarias para o dia seguinte. Barcos dormem ancorados aos pés de montes com os picos eternamente nevados.

O verão se prepara para zarpar. Alimentadas, as baleias vão seguir rumo ao Hawaii e à costa do Pacífico.

 


O outro lado da natureza selvagem ou Pedofilia no Alaska

Publicado em: 26/08/ 13

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História do viajante

Pelos becos do Alaska

Todos os que encontrei pela rua, naquele início de tarde chuvosa – que mais tarde viria a descobrir que era uma sexta-feira – estavam bêbados, drogados ou largados da vida. Mendigos com cara de descendentes de esquimó se encolhiam em bancos de rua.

Entro no hostel como quem adentra espaço privado, mas de ampla convivência. Já na porta só me deparo com tipos estranhos, caras cerradas. Ambiente diferente dos alojamentos compartilhados ao longo das três Américas.

No dormitório, saúdo o jovem amassado pela vida, estranhamente instalado na cama, de onde só sairia no dia seguinte. Eram duas da tarde. Não tive resposta e após a segunda saudação, recebo apenas um rígido menear de cabeça.

Equivocado pelas facilidades apregoadas pela internet, fiz a reserva na madrugada anterior, receoso de ser obrigado a perambular em busca de um canto vago, ou de ser submetido à ditadura dos preços altos, praticados em lugares famosos, distinguidos ou turísticos. Acabava de chegar ao Alaska, a última fronteira.

FBI e o choque

Final do dia, profundamente afundado no sofá, trabalho em crônicas e relatos da expedição, televisão de ampla tela plana instalada e ligada no salão comunitário. Decoração pobre, sem charme. Cozinha diminuta, frequentada por hóspedes e moradores próximos, atrás de um copo de café.

Não sei bem por que não me sentia nada confortável no lugar. Todos me caiam diferentes. Pareciam mais desocupados do que viajantes. Comunicação restrita, poucas palavras, alguns ruídos. Muito computador.

O oriental que assumiu o turno na recepção apenas grunhia em inglês. O moreno magricela empregava horas no jogo de paciência. O gordinho tatuado em ambos os braços, mãos e pescoço, orgulhava-se de ter conseguido emprego no restaurante de comida rápida e pasteurizada.

Pessoas mais mal vestidas do que eu – que há nove meses massacro as mesmas roupas – circulam por complicados espaços de forração cinza. E o jovem esfolado pelo diário viver anestesiado lá em cima, sem sair da cama.

A sensação de mal estar reduz a minha concentração para o trabalho. Bate a sonolência, após uma noite em que desfrutei de apenas três horas de sono. Continuamente afundado no almofadão de veludo encardido, cochilo por uma hora.

Acordo com o noticiário ligado, computador ao lado e a mochila, que apalpava enquanto dormia, presa às pernas. Foram poucos piscares até reconhecer na tela o gerente do hostel. Sim, do lugar esquisito onde acabara de me hospedar.

Tímido e bastante ressabiado, tentava explicar que não notara comportamento estranho do dono do estabelecimento, um cambojano há alguns anos também cidadão americano. A reportagem seguia, discorrendo sobre o envolvimento do acusado em crimes sexuais contra menores de idade.

Nos últimos quatro anos, o sujeito viajara 12 vezes ao Camboja, em busca de sexo com crianças de 11, 12, 13 anos de idade. Doente, filmava e arquivava tudo. Foi desmascarado por agente policial disfarçado, enquanto organizava excursão sexual ao sudeste asiático.

Chocado, o viajante apontava para a televisão, surpreso ao descobrir a origem da densa vibração do lugar onde passaria a noite. Era o último hóspede a se instalar no local. Os penúltimos, agentes de inteligência do FBI em investigação secreta.

O prédio, bem cuidado e azulado por fora, mantém avisos com normas estritas: visitas por no máximo 30 minutos e a proibição de menores de idade.

A primeira noite na última fronteira

Nenhum dos hóspedes era viajante. Perdedores do bruto jogo americano que trocaram as bordas da marginalização por um pouso barato.

Avança a noite. Passo pelo espaço contíguo onde há duas semanas mora o senhor que alterna a bombinha respiratória com o copo de destilado. Ocupo o meu beliche, ao lado do velho-jovem judiado pela vida.

Consigo sono reparador até perto das seis da manhã, quando sou despertado por gritos. Confusão no corredor, barulho no banheiro. E um senhor de pele escura e amplo bigode me chama para ajudar.

O jovem-velho-quase calvo estava caído no corredor. Salto do beliche desviando da bagunça que ele mesmo instalara no quarto e constato: o cara estava estatelado no chão, olhos abertos, pés molhados pela inundação do banheiro.

A primeira informação trazida pela mente é de que o jovem envelhecido, pele extremamente alva, tronco forte e pernas finas, teria se matado. De todos os becos, porões e cavernas do hostel explodem tipos estranhos.

Magrão mais alto do que o viajante, enfiado em camisas e jaquetas compridas, liga para o serviço de emergência.

O velho jovem desperta, movimenta a cabeça, cerra os olhos. Está vivo, percebo, aliviado. Levanta só, recusa a assistência emergencial, tropeça nas roupas, copos, embalagens, latas e garrafas que distribuiu pelo caminho e se deita novamente.

Mastigado pela vida, maltratado por si mesmo, segue socado na cama.

Poucas horas depois, arrumo a bagagem e deixo o hostel. Carrego na mochila mais uma experiência fascinante de viagem. Não vejo o jovem despertar.

 Notas do viajante:

  1. 1.    O fato é absolutamente verídico e o relato, baseado na vivência do viajante. O noticiário local detalha a história e informa a confissão do acusado.
  1. 2.    Os nomes do envolvido, do hostel e da cidade do Alaska foram propositalmente omitidos. Muita coisa ainda vai acontecer por lá.
  1. 3.    O gerente que concede informações à imprensa dá de ombros quando pergunto sobre o episódio do jovem caído no corredor. Parece que acontecimentos assim são normais no estabelecimento.