China

Pouco inglês. Muito coração

em 13 novembro, 2015

Com algum inglês e muita mímica é possível  se comunicar bem

Hong Kong é terra de gente prestativa e honesta

Muh-Chieh Yu ia a Hong Kong a trabalho quando, no avião, me viu estudando o pesado guia sobre a China. Com inglês um pouco rústico, mas extremamente afável, puxou conversa, comentou sobre Hong Kong e transmitiu sua percepção sobre o sudeste asiático. Tinha visitado Myanmar e a Tailândia.

Antes do nosso desembarque me cedeu dois cartões para uso principalmente no transporte público, mas também útil em lojas de conveniência, supermercados e redes de “fast food”.

O cartão pode ser usado em lojas de conveniência e supermercados

O Octopus Card serve principalmente para o transporte público

Não satisfeito, Muh-Chieh entregou algumas notas de dólares de Hong Kong. Isso mesmo, me deu dinheiro. Ao todo, entre crédito nos cartões e moeda em espécie, o equivalente a US$40 ou R$80. Incrível, não? Algum desconhecido, alguma vez, já te deu dinheiro? Assim, do nada?

Sim, isso pode acontecer em Hong Kong, terra de gente prestativa, simpática, educada e honesta. Digna, eu diria. Não, não falo assim porque ganhei algum dinheiro que me ajudou já na saída, para pegar o trem, e reduziu o meu custo diário na cidade. Mas, sim, porque atitudes benevolentes podem acontecer a qualquer momento em Hong Kong. Talvez até à meia noite, na rua ou em alguma estação de metrô. A região é muitíssimo segura e relaxante, ainda mais para nós, brasileiros.

Apesar de movimentada, Hong Kong não provoca estresse

A região é segura e relaxante

Está vendo a carteira aí da foto abaixo? Ficou no chão, por um bom tempo, sem ser tocada, no meio da multidão. Foi olhada, observada, admirada, mas nunca apanhada e nem pisada. Fiquei acompanhando o seu destino e, quando me afastei um pouco, um senhor gritou para me chamar, achando serem meus os documentos.

No Brasil, uma vez meu celular caiu e em segundos não o vi mais

A carteira ficou um bom tempo sem ser tocada

Como comparação, uma vez derrubei o celular no centro de Curitiba e, assim que me dei conta, em poucos instantes me virei e voltei para buscar, mas nada mais vi. Aqui, algum tempo passou até uma família chinesa juntar a carteira e seguir adiante.

Visitava o Tang Hall, num caminho ancestral, ao ser abordado por Eric, um jovem muito bem vestido que começou a fazer perguntas sobre minha presença ali e de como conheci o lugar. A princípio parecia ser um guia, oferecendo serviços, algo bastante normal em vários países que visitei. Comentários, conversa, novas perguntas. Seria uma pesquisa? Respondi e inquiri sobre o trabalho dele, se estava ligado a turismo, mas não. Preparado para armadilhas do sudeste asiático e experimentado com a expedição de quase um ano pelas Américas, sempre desconfio.

Qual nada, era apenas um jovem gentil, gerente de indústria automotiva transferido para iniciar trabalho nos arredores. Descreveu alguns simbolismos da China, queria dar dicas da cidade e sugeriu que eu telefonasse, caso precisasse de algo.

O povo de Hong Kong conversa em qualquer interesse oculto

O jovem Eric se aproximou com perguntas. Só queria ajudar

Assim é em Hong Kong, se arranham o inglês, as pessoas sempre ajudam. Na rua, muitas vezes desviam do próprio caminho para colocar o viajante no rumo certo.
Talvez tenha sido a influência da centenária dominação Britânica, ou então o forte desenvolvimento. Acredito que a qualidade de vida contribui para a gentileza. E há muito bem estar por aqui. Em um bairro distante, não turístico, duas operárias enchiam quatro sacolas plásticas com chás, sucos e diversas bebidas industrializadas, provavelmente para colegas de trabalho da obra. Não perguntei a respeito. Sei que elas tampouco conseguiriam responder. É muito bacana essa condição de vida, existe distribuição de renda, a população em geral tem poder aquisitivo.

Muito positiva essa distribuição de renda e qualidade de vida

As operárias saíram com sacolas cheias de sucos e produtos industrializados

Em Hong Kong as pessoas interagem com respeito e sem interesses ocultos, dá muita vontade de aprofundar as conversas, solidificar relacionamentos. Ao partir também vou fazer a minha parte e entregar para outros viajantes os cartões de transporte. Inclusive com algum crédito.

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Hong Kong

Hong Kong é moderna e desenvolvida. Ops, nem tanto…

em 9 novembro, 2015
É uma das regiões mais densamente habitadas do planeta.

É uma das regiões mais densamente habitadas do planeta.

A cidade cresceu para o alto.

Tudo é feito em Hong Kong. Lembro bem dos brinquedos de plástico da infância, na década de 70. Se você experimentou a vida nessa época, ou mesmo antes disso, vai se recordar das pistolas de água, das lanternas metalizadas ou coloridas, dos primeiros autoramas ou das câmeras fotográficas com flash quadrado que ia queimando aos poucos.

Os flashes iam queimando com o uso

As câmeras tinham flash quadrados removíveis

Pistolas d`água lembra a infância dos anos 70

A indústria de brinquedos surgiu na década de 40

Ao longo de uma história de dominação britânica, guerras mundiais e invasão japonesa, a região se industrializou e começou a exportar para o mundo lampiões e lanternas, brinquedos, produtos de plástico, relógios e muito mais plástico.

Aqui se vive bem e se paga por isso. Hong Kong é uma cidade desenvolvida, cosmopolita e muito interessante. Fala-se um pouco mais inglês do que no restante do país.

Por ter pouco espaço e ser uma das áreas de maior densidade demográfica do mundo, cresceu para o alto. É vertical, riscada por arranha-céus e conectada por galerias, shopping e centros comerciais e de escritórios.

A cidade ocupa boas posições nos rankings da ONU de qualidade de vida

Prédios imensos, fachadas espelhadas e neons brilhando à noite.

Está entre no topo da cadeia alimentar em diversas classificações internacionais: Ìndice de Desenvolvimento Humano; Qualidade de Vida; Percepção da Corrupção; Expectativa de Vida.

Segura e amigável, permite caminhadas a qualquer hora, com uma câmera ao pescoço e muita tranquilidade. E, o melhor de tudo, sem assédio. A única abordagem, ainda assim delicada, é para a venda de produtos piratas.

Um dos maiores centros financeiros internacionais, Hong Kong não para, está em constante renovação.

Difícil encontrar alguém sem emprego ou sem teto, pelas ruas

Hong Kong está sempre em obras

Naturalmente é cara. Mais do que o restante da China. Bem mais do que o sudeste asiático. Uma acomodação minúscula – com cama e diminuto banheiro – custa US$30. O céu também é o limite para os preços dos hotéis chiquinhos. Cobram fácil US$600 e lotam. Olha só onde eu fiquei.

A hospedagem mais barata custa US$30

O minúsculo quarto onde se hospeda o viajante

Cidade inteligente, HK construiu sistema de transporte excelente e de larga capilaridade. Abasteça um cartão e use nos trens, metros, ônibus, bondes e até no secular ferry boat. Ainda assim pode haver longas filas. Há muita gente. São sete milhões de habitantes em 1,1 mil quilômetros quadrados. O Brasil tem 8,5 milhões de km.

O barco dá uma visão da moderna Ilha de Hong Kong

O Star Ferry opera em Hong Kong desde o século XIX

Por ser uma região administrativa especial, a Cidade-Estado tem autonomia, livre comércio, um sistema político distinto da China Continental e um Poder Judiciário independente.

O ruim é que aqui a internet também é controlada. Menos do que em Shangai, mas há dificuldades, fato que atrasou a publicação deste post. Estava com dificuldade para visualizar minhas primeiras fotos e fiz contato com meu amigo Lucas, no Brasil.

Usando esses programas que só os hackers conhecem, ele acessou minha máquina à distância. Por poucos minutos tentou ajudar. Logo perdemos o áudio de contato. Depois o sistema de controle do governo chinês o expulsou do aplicativo e Lucas perdeu o monitoramento do meu computador. Fiquei só, lutando contra a tecnologia e o acesso vigiado. Nesse ponto prevalece a antiguidade.

A terra com um dos maiores PIBs per capita do mundo é também de fortes contrastes. Coexistem o antigo e o contemporâneo, o luxo e o tradicional. Ao lado de construções seculares e fachadas espelhadas, estão prédios mais velhos e feios, barracas de comida e lojas de medicinas chinesas. Íngremes ladeiras espremidas entre restaurantes finos.

Hong Kong é uma terra de contrastes

Restaurantes e lojas sofisticadas coexistem com barracas de venda de medicina tradicional

A história não foi engolida e é isso que torna o lugar charmoso e rico.

 

“Hong Kong is where East meets West and high meets low”.

 

 

 

 

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