Expedição Extremo Oriente

LUGARES CÊNICOS, ARTE, VILAS HISTÓRICAS E CIDADES INTELIGENTES

em 4 janeiro, 2018

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buy Lyrica canada pharmacy Taiwan é um país exuberante, para ser saboreado aos poucos. Engano seria pensar que esta ilha de 36 mil quilômetros quadrados, situada em arquipélago vulcânico, é uma nação de reduzidos atrativos. Não sem motivo recebeu dos portugueses o nome de “Formosa”.

É pouco dedicar apenas uma, duas semanas, para explorar a infinidade de lugares cênicos, templos, ilhas, vilas em regiões montanhosas, costas e uma capital inteligente, como é Taipei. Aliás, na modesta opinião deste viajante de longo prazo, nenhum país merece menos do que um mês de atenção, salvo mínimas ou incontroláveis exceções.

É impressionante descobrir que a apenas poucas dezenas de quilômetros da capital ou de qualquer grande cidade, seja possível encontrar densas florestas, matas preservadas, sendeiros entre as montanhas e rios límpidos, de água verde esmeralda.

Wulai é um exemplo, a menos de 30 quilômetros de Taipei. A região onde viviam isolados os índios Atayal, até o final do século XIX, oferece trilhas, cachoeiras e cascatas, deslumbrantes. Com a metade do país coberta por floresta e 118 rios catalogados pelo governo, há natureza em qualquer direção da ilha. São oito parques nacionais no país.

No entanto, escalar ou subir montanhas pode ser uma tarefa tão burocrática quanto fisicamente exaustiva. Há várias trilhas com entrada controlada, nas mais importantes áreas de preservação. O acesso só é permitido com duas autorizações – do gerenciamento de parques e da polícia. A requisição não pode ser feita pessoalmente, o sistema é pouco prático e o site não é amigável o suficiente.

Algumas caminhadas têm que ser requisitadas com pelo menos dois meses de antecedência. Tanto controle visa reduzir o impacto ambiental e prevenir as emergências. Os tufões são ameaças constantes no país e responsáveis pela destruição massiva de ambientes naturais e edificações, como ocorreu em 2009.

Cansado de tentar obter a permissão online, arrisquei e realizei uma dos melhores hikings da minha vida, sozinho, quase seis quilômetros montanha acima pelo Parque Nacional de Taroko, no leste taiwanês: vegetação densa, paredões formados por penhascos, gargantas e fundos de vale.

Formada pela colisão de duas importantes placas teutônicas, a superfície de Taiwan é composta de inúmeras fissuras das quais emergem, borbulhantes, as águas termais, vulcânicas – sulfurosas, alcalinas, ferrosas ou de lama. Para serem desfrutadas em banhos públicos, resorts, piscinas populares e até ao ar livre, ao sopé de uma montanha. É inacreditável, mas a temperatura da água pode ultrapassar os 45 C.

As vilas históricas são outro espetáculo. As moradias de Lukang foram levantadas acompanhando o curso do rio. Agora, com o canal coberto, as vielas, becos e construções antigas se estendem por curvas, o que transformou o lugar em um labirinto de surpresas e descobertas.

Outra, nos arredores de Taipei, foi transformada em uma comunidade artística. A vila – construída por soldados na década de 40 e conhecida hoje como “colina do tesouro” – combina arquitetura antiga com expressão cultural e comércio compartilhado.

Há quiosques de livros e de artesanato abertos, com o material exposto e a venda baseada na honestidade e na confiança. O interessado avalia o produto e deposita a quantia estipulada numa caixa ou cofrinho. Não há funcionários ou qualquer mecanismo de controle, exceto a consciência do cidadão.

Geralmente são muito honestos e extremamente amigáveis, os taiwaneses. Ainda que o povo se comunique com dificuldade em inglês, normalmente se esforça para partilhar informação, indicar o caminho e colaborar. Fiz o teste de honestidade.

Larguei minha mochila em um parque, debaixo de uma árvore, com pessoas em volta. Virei às costas, saí do campo de visão e fiquei monitorando à distância. Um homem passou do lado, nem ligou. Bateu um vento, a mochila caiu no chão, ninguém fez menção de pegá-la. Muito sossegado.

Repeti a experiência, desta vez do lado de fora do parque, em avenida bem movimentada, junto a um sinaleiro. Alto risco. Homem passou com moto sobre a calçada, bem ao lado, gelei. Não daria para recuperar, havia obstáculos entre mim e a bagagem. Ele poderia simplesmente agarrar a mochila e fugir, o que felizmente não aconteceu. Insisti. Por mais 15 minutos comprovei a honestidade dos taiwaneses, numa cidade de 2,8 milhões de habitantes.

Com a avaliação de um observador leigo na temática do desenvolvimento das nações, considero que são dois os principais aspectos de toda a segurança e civilidade de Taiwan, aliás, de boa parte da Ásia – prosperidade e cultura.

A nação acumulou riqueza na década de 50 com a agricultura de arroz, chá, cânfora e cana-de-açúcar. Porém, a estrutura socioeconômica representava também analfabetismo, mortalidade infantil e baixa expectativa de vida.

Passou a se desenvolver com uma estratégia industrial voltada às exportações, como os demais países apelidados de “Tigres Asiáticos”. Nos anos 60, as empresas familiares eram subcontratadas por fabricantes estrangeiros, fornecedoras de redes internacionais. Assim os produtos “Made in Taiwan” se consolidaram em nosso cotidiano.

A década seguinte foi dedicada à modernização, sobretudo dos setores de alta tecnologia e então surgiram o computador pessoal e o desenvolvimento da microeletrônica. O setor têxtil incrementou a qualidade e o de calçados tornou-se grande exportador mundial. Similar ritmo de desenvolvimento alcançou a indústria química, de plásticos e da construção naval. Até meados dos anos 80, Taiwan cresceu a gordos bocados, em torno de 8% ao ano.

No entanto, nos últimos 20 ou 30 anos, muitas empresas taiwanesas se mudaram ou passaram a investir mais na China do que em seu próprio país, atraídas por mão de obra barata e facilidade cultural e de idioma. Atualmente, muitos profissionais deixam o país para trabalhar na indústria chinesa da criatividade e do entretenimento.

Nem tudo é sempre lindo, impecável ou inovador em Taiwan. Boa parte da população vive em conglomerados urbanos abarrotados, em regiões bem diferentes da contemporânea Shanghai ou da moderna Hong Kong, algumas das expressões máximas de desenvolvimento da região, localizadas nas vizinhanças chinesas.

Circular pelo país também é observar construções populares; becos mal iluminados com residências humildes e entulho acumulado; ser transportado em trens lotados e compartilhar da vida simples, principalmente nos eletrizantes mercados diurnos ou noturnos com suas diversidades gastronômica, produtos triviais e entretenimento fugaz.

Paralelamente à conduta pacífica – comum em boa porção da Ásia – o aspecto comportamental dos taiwaneses é marcado pela capacidade de amizades longas, abertas e sinceras. Somada a isso, há a forte influência histórica e tradicional do Confucionismo, do Budismo e do Taoísmo.

O país tem oficialmente 15 mil templos que, além de serem espaços espirituais, exercem a função de centros comunitários. Setenta por cento da população se considera budista ou taoísta. Etnicamente, a maioria esmagadora descende da Dinastia Han, chinesa, com uma parcela reduzida de descendência aborígene.

Um dos períodos destacados da história da nação, ainda com marcas muito visíveis, foi o da colonização japonesa (1895 – 1945). Ferrovias e rodovias foram construídas e conectadas e a indústria, desenvolvida. Por outro lado, indígenas foram exterminados, aculturados ou escravizados e é difícil visitar algum templo ou construção histórica sem ser informado da época em que os lugares foram destruídos pelos japoneses.

Apesar de vários indicadores de qualidade de vida, é uma sociedade assoberbada e sob pressão. Escutei queixas de moradores sobre o ritmo frenético da vida no país. Os adolescentes e jovens, depois do Ensino Fundamental, são massacrados com muitas horas de estudos e intensas tarefas de casa. Não são incomuns os suicídios entre o público de menor idade.

Taiwan é hoje uma região independente, ainda que não de maneira desejada e totalmente reconhecida pela China, que busca a reunificação. Tem governo e regras próprias e exige um visto diferente para entrada no país.

 

A capital, Taipei, é uma cidade internacional com inteligência estabelecida para estimular o desenvolvimento urbano por meio da participação pública e de parcerias público-privadas. Até 2011 abrigou o edifício verde mais elevado do planeta, a “Taipei 101 Tower”, com 508 metros de altura, 101 andares e sistemas inteligentes de reaproveitamento de água, controle elétrico, dos elevadores e de ar condicionado.

Algumas das iniciativas vivenciadas por este viajante estão no campo da mobilidade. Nos arredores da capital, uma ferrovia desativada e uma área abandonada foram transformadas em espaço de entretenimento, convivência e lazer.

Duas ciclovias, um total de 25 quilômetros, se alongam entre jardins, atravessam túneis e se estendem por pontes, sobre rios limpos, onde há moradores pescando. Famílias pedalam ou circulam em total segurança. Propostas semelhantes existem em outras partes da cidade, ao longo de rios e conectando bairros próximos ao centro.

A minha forma de viajar me aproxima muito das comunidades por onde passo, já que busco experimentar os espaços cotidianos dos cidadãos, bem além dos pontos turísticos e das zonas comerciais. Assim comprovei a multiplicidade de áreas públicas destinadas às pessoas, em Taipei e em outras cidades taiwanesas.

São comuns as feiras diversas, os quiosques de comidas e de alimentos orgânicos, os espaços de lazer familiar, as oportunidades para dança e atividades esportivas e os ensaios dos grupos K-pop, influência da cultura sul-coreana.

Em Taiwan os antepassados ainda são adorados, os pais, respeitados, e a democracia segue em consolidação. Uma nação a ser visitada e explorada, vagarosamente.

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