Terra de plantas, orquídeas e morangos

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O dia desperta cedo na área rural de Guadalupe, em meio a plantações de morango, orquídeas e o cultivo de diversas espécies de flores e plantas. O povoado de poucas casas e escasso comércio, entretanto, dorme até mais tarde. A dois mil metros de altitude a temperatura do verão panamenho baixou a 6 C.

A névoa úmida marca o caminho até à entrada do Parque Nacional Vulcão Barú, uma área de 140 quilômetros quadrados com trilhas que percorrem bosques, margeiam rios e encontram cascatas.

Deixo a vila onde não é preciso olhar para atravessar a rua. Saio do povoado no qual o morango é servido em quase uma dezena de modalidades: com creme, sorvete, chocolate, iogurte, batido, gelado e até com vinho ou licor.

Ensaio as primeiras passadas de uma caminhada que iria durar seis horas pela trilha dos Quetzales, fora as paradas para admirar os pássaros, fotografar e conversar com moradores.

A mata canta em diferentes tonalidades. Grita com os Talingos, gorjeia com os Quetzales e pia com diversas espécies de aves, enquanto a trilha muda de forma e de intensidade.

O rio, imenso, banha democraticamente locais, mochileiros e turistas.

Após 10 km, almoço sardinhas com molho de tomate e recuso carona em um caminhão de alface para seguir caminhando pela estrada, outros 10 km até Boquete. Sim, assim se chama o povoado incrustado no Vale da Caldera e rodeado por montanhas e fazendas de café.

Pelo caminho também está instalada a pobreza que assume a forma de choças, casebres ou de precários acampamentos. Aparece na face das crianças retraídas e nas roupas penduradas para secar entre as árvores.

À tarde, as nuvens visitam as montanhas. Muitas vezes chove e o cheiro molhado e agradável da vegetação impregna o olfato. O melhor de tudo é essa sensação de liberdade, de caminhar sem hora para chegar, de encontrar um lugar e não ter tempo exato para permanecer. De alternar montanhas e fazendas, praias e baías, cidades e povoados. Sem saber por quanto tempo vou ficar.

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