De Mochila pelas Américas

Tumbes, o povoado kitsch

em 16 dezembro, 2012

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Os típicos trajes andinos, das rechonchudas mulheres peruanas, dão espaço a sujeitos não tão bem apessoados, na cidade do eterno verão. Ao lado da fronteira com o Equador, no extremo norte peruano, Tumbes, 35 mil habitantes, é um povoado de gosto duvidoso.

Aqui a cena é outra. Saem as construções coloniais e entra a arquitetura kitsch – nas praças, no comércio, nos passeios e nas edificações públicas ou institucionais. Os calçadões, abarrotados de gente. As ruas, lotadas de moto-táxis que aqui tem três rodas e toldo para abrigar do sol.

Perto do mar, adoram conchas acústicas. As pessoas acenam, todos querem sair nas fotos, que não sabem para quê e nem para onde. Apenas gostariam de ser registradas e sinalizam, felizes.

“Foto grátis”, entusiasma-se a mãe da criança que brinca na vespa. Na praça ao lado, um estacionamento para veículos de brinquedo.

Na praça principal, as jovens meninas, intensamente maquiadas, desfilam seus perfumes, de aroma duvidoso. Igual a qualquer cidadezinha do nosso interior. No comércio, o vendedor ensina o jovem rapaz a atar o nó da gravata, antes de experimentar o terno.

Na guerra, o Peru retomou Tumbes do Equador, em 1941. Fora do povoado, a região é verde, rica em fauna e flora, e tem praias bonitas. A baia, em Puerto Pizarro, alimenta milhares de pássaros.

Desço a movimentada Avenida Mariscal. Novamente o caos e quando percebo já estou de frente para o mercado central. Um homem, gritando muito, agarra-me o braço com ambas as mãos. Desvencilho-me com facilidade e continuo a fotografar. Parecia estar bêbado.

Preocupação maior dos motoristas e vendedores da região. “Cuidado, te roubam a câmera”, apressa-se um. “O que aconteceu?”, inquieta-se o outro. Novamente volto a chamar a atenção na rua, involuntariamente.

Sigo o conselho e, câmera na mochila, as duas mãos livres para qualquer eventualidade, sigo pela avenida. Lojas de peças, pequenas oficinas de consertos, muquifos e bares.

Povo sofrido, dinheiro escasso, vida difícil. Afinal, onde uma refeição completa custaria R$ 7,00? Sigo meu passo, não é mais perigoso do que caminhar pelos arredores da lagoa do Abaeté, em Salvador.

 

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