De Mochila pelas Américas

Uma manhã no mercado de Masaya

em 11 abril, 2013

M Masaya 0
M Masaya 1
M Masaya 2 (2)
M Masaya 3 (2)
M Masaya 4 (2)
M Masaya 5
M Masaya 6 (2)
M Masaya 7 (2)
M Masaya 8 (2)
M Masaya 8a
M Masaya 9
M Masaya 9a
M Masaya 10 (2)
M Masaya 11
M Masaya 12 (2)
M Masaya 13
M Masaya 14 (2)
M Masaya 14

Crônica do viajante

Eles se divertem comigo e eu, com eles. Não gosto muito quando me confundem com gringo, o que sempre acontece. Às vezes, no final do dia, já estou cansado de dizer que sou do Brasil, terra da próxima Copa do Mundo, onde não circula dólar e se fala português. Às vezes não adianta, continuam achando que venho dos Estados Unidos ou então, depois da explicação, da Europa.

Mas no mercado me divirto com todos e eles ficam felizes comigo. Não podem ver uma câmera, adoram sair em fotografias, que não sabem para quê e nem para onde.

“Vou para Los Estados”, confidencia para a amiga, orgulhosa, a artesã que acabo de fotografar. Usa o apelido dos nicaraguenses para indicar a “América”. “Com quem?… Comigo não vai porque sou do Brasil”, respondo de imediato, ouvido espichado na conversa.

Sigo pelo mundo das melancias, das laranjas, das bananas e das batatas… Atravesso corredores inundados de cebolas, tênis e de sandálias coloridas. Passo por pilhas de panelas metálicas e espaços atulhados de sapatos, relógios falsificados e roupas coloridas.

As carnes, expostas como em varal. Os cães, logo abaixo, espreitam desde o solo. Há também uma sala de beleza, com sugestões para os mais estapafúrdios penteados.

O mercado de Masaya, na Nicarágua, é um mundo à parte. Tem seus códigos próprios, seus sinais, aromas e seus sons. Muitos sons. A visita passa a ser visual e auditiva.

Todos gritam, todo o tempo. Gritam por tudo. Gritam por nada. Berram para vender, bradam para se comunicar com os vizinhos. Gritam para atrair a clientela.

Agitam-se, excitados, quando percebem a possibilidade de uma nova foto. Os nicaraguenses que trabalham no mercado falam com as mãos, vozeiam com a feição. Sorriem com os olhos.

Clama o rapazinho que vende frutas. Exclama o homem que anuncia a pasta de dentes. Canta frases prontas a senhora do balcão de legumes. Alguns interpretam.

Anunciam preços e convidam para entrar no box, sempre com a voz sonora, audível. Quando não conseguem berrar, assobiam. Alto e forte. Sibilam para abrir passagem ou para provocar a moça que passa.

As músicas locais explodem em algumas barracas. Discutem todos, entre si, por qualquer motivo. E gritam.

“Quase quente, né?”, puxo conversa. “Como em Miami”, responde o senhor, divertindo-me. Mais uma! “Sou do Brasil, na cidade em que moro faz frio”, retruco. “Ah, a terra de Pelé…” Agora sim.

Conforto-me e continuo. Pelo mercado os comerciantes riem, sorriem, gargalham, debocham. Berram e gritam.

Apaixonado povo latino.

Tags:, , , , ,

9 Comentários link permanente

9 Posts

Post a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *